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O voto moderado

Estão na batalha por esse eleitorado Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Alvaro Dias, João Amoêdo e Henrique Meirelles

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2018 | 03h00

Se até este ponto da disputa presidencial os únicos votos consolidados parecem ser aqueles dados nos extremos, começa a ficar encarniçada a disputa pelo contingente de eleitores que não comunga nem do lulismo renitente nem do bolsonarismo exaltado.

O tal voto que já foi classificado como “de centro”, mas que comporta um espectro político-ideológico mais amplo – que vai da centro-direita à centro-esquerda – e, por isso, poderia ser chamado mais corretamente de voto moderado.

Estão na batalha por esse eleitorado Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Alvaro Dias, João Amoêdo e Henrique Meirelles. Diante de tal pulverização fora dos extremos e do alto contingente de indecisos flagrado pelas pesquisas, será previsível assistir a um fenômeno que ocorreu em 1989: o surgimento de “ondas” na direção de um ou outro nome até que configure o segundo turno.

Esses candidatos vão mirar o eleitorado de Bolsonaro e do PT – que, até agora, não se transferiu para Fernando Haddad –, mas também trocar cotoveladas entre eles pelos indecisos e moderados insatisfeitos com a polarização exacerbada.

A temporada de dedo no olho nesse meio de campo já começou. Alckmin é alvo de artilharia dos rivais em peso pela aliança com o Centrão, que lhe garante uma vantagem logística na briga por esses votos. Bastou crescer um pontinho nas pesquisas e Amoêdo também entrou na mira dos demais.

Na sabatina Estadão/Faap, Marina mostrou o caminho que pretende seguir nessa disputa em que entra sem capilaridade partidária nem tempo de TV: focar tudo no eleitorado feminino, que hoje lidera o bloco dos indecisos, e na defesa de uma saída intermediária para o confronto bolso-petista.

Certamente não ficará sozinha nesses dois objetivos estratégicos, mas por ora leva vantagem nas pesquisas pelo recall das eleições passadas, por herdar momentaneamente os votos lulistas e pela trajetória política sem máculas éticas.

Pode ser pouco diante do arsenal que seus adversários terão em termos de recursos financeiros e acesso à propaganda. Ela própria não soube responder se o apelo ao voto moderado será suficiente numa campanha até aqui marcada pela estridência e a revolta com a política.

Pelo sim, pelo não, a ex-senadora não passará incólume a ataques dos adversários atentos a sua movimentação: depois do confronto que ela e Bolsonaro protagonizaram no debate da Rede TV!, apoiadores do ex-capitão já fazem o trabalho de desconstrução da ex-senadora nas redes. O mesmo trabalho, aliás, que começa a se voltar contra Amoêdo e já era feito em relação a Alckmin.

O bolsonarismo age para manter a tropa unida e evitar que se abra brecha para opções menos radicalizadas, o que poderia ser um golpe nas pretensões do candidato do PSL.

CAMPO MINADO

Rivais vão fustigar Bolsonaro por faltar a debate da CNA

Jair Bolsonaro será o alvo de todos os demais candidatos durante sabatina da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) hoje, em Brasília, um dos muitos eventos do gênero que decidiu cabular. Os opositores vão aproveitar a ausência do líder nas pesquisas para colocar em dúvida seu compromisso real com o agronegócio, setor no qual conta com o apoio de uma ala mais “tradicionalista”.

Aliás, essa divisão do agro em grupos ficou evidente com a organização do debate. Aquele mais ligado à pesquisa e à automação não está fechado com o candidato do PSL e se mostra mais próximo à vice de Alckmin, a senadora gaúcha Ana Amélia (PP). 

Outro ausente do evento de hoje que não tem muito ambiente no patronato ruralista é Ciro Gomes (PDT), devido ao fato de sua vice, Kátia Abreu, que já presidiu a CNA, ter angariado muitos desafetos por lá desde que hipotecou apoio incondicional a Dilma Rousseff e fez uma guinada à esquerda.

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