Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

O valor da desvalorização

Ministro Nelson Barbosa compara ajuste fiscal de agora à medida 'corajosa' tomada por FHC em 1999

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2015 | 02h05

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, contrariou o discurso petista de que Fernando Henrique Cardoso cometeu "estelionato eleitoral" ao desvalorizar o real em 1999, depois de tomar posse para o segundo mandato.

Em depoimento no Senado, Barbosa disse que o abandono do câmbio fixo na época, então peça central do Plano Real, foi um ato "corajoso e responsável". "Ele (FHC) tentou manter o que parte de sua equipe achava necessário enquanto pôde, mas quando os custos da manutenção dessa política se revelaram muitos maiores que sua manutenção, ele mudou", disse o ministro, ao comparar as atitudes tomadas pelo tucano com as da presidente Dilma Rousseff.

Para Barbosa, as mudanças promovidas pelo governo após a reeleição de Dilma não representam uma mudança no discurso em relação às promessas feitas durante a campanha eleitoral. "É preciso discutir o passado, mas precisamos avançar", disse, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. "Não foi uma negação FHC mudar a política econômica depois de reeleito. As condições mudam."

Barbosa fez um paralelo entre a atitude tomada por FHC na época e o ajuste fiscal anunciado recentemente pela presidente. "O governo absorveu enquanto pôde o custo disso (da crise) para minimizar os impactos sobre a população", disse. "Só mudamos quando não havia mais forma de manter."

O ministro disse ainda que essas reavaliações da política econômica não são monopólio de um partido ou outro, nem da esquerda ou direita. Para ele, o ajuste feito pelo governo criará condições para um novo ciclo de desenvolvimento e de oportunidades. / ANNE WARTH, CÉLIA FROUFE e NIVALDO SOUZA


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