O trabalho infantil cai. Mas ainda resiste

Das 16 milhões de crianças brasileiras com idades entre 5 e 9 anos, 296.705 ainda trabalham. A grande maioria delas mora no campo e é mão-de-obra em atividades agrícolas, mostra a pesquisa PNAD de 2001, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. O trabalho infantil ainda existe em todas as faixas etárias. São 1,9 milhão de trabalhadores entre 10 e 14 anos e 3,6 milhões entre 15 e 17 anos. O uso de mão-de-obra de menores é maior entre os homens. Dos 296 mil menores trabalhadores que têm entre 5 e 9 anos, 213 mil são meninos. Eles também são maioria em todas as outras idades. Mas a atividade varia e o setor agrícola não é o que absorve a maioria. Entre 10 e 14 anos, as crianças estão divididas entre agrícolas e não-agrícolas. E as mais velhas já se concentram em áreas fora do campo. Essas crianças trabalhadoras moram, em sua maioria, nas regiões Nordeste, Norte e Sul, informa o estudo. Dos 20,5 milhões de pessoas ocupadas no Nordeste em 2001, 994 mil eram crianças entre 10 e 14 anos. No Norte, elas eram 80 mil dos 3,7 milhões de trabalhadores. E, no Sul, 305 mil dos 12,8 milhões de ocupados. As proporções no Sudeste e Centro-Oeste são menores. As crianças eram apenas 422 mil dos 32 milhões de ocupados no Sudeste, e 118 mil dos 5,5 milhões de trabalhadores no Centro-Oeste. Em quedaApesar da persistência do problema, o trabalho infantil no Brasil está em queda. Do total de crianças de 5 a 17 anos, 19,6% trabalhavam em 1992. O porcentual caiu para 12,7% em 2001. A redução ocorreu em todas as faixas etárias. Quando olhamos apenas para a evolução entre 1999 e 2001, nas crianças entre 5 e 14 anos, a queda foi significativa, de 9% para 6,8% ou, em números absolutos, menos 739 mil crianças ocupadas no Brasil. "Foi uma queda realmente muito forte para apenas dois anos", comemora a técnica Vandeli Guerra, do Departamento de Trabalho e Rendimento do IBGE.

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