Beto Barata / AE 10/08/2011
Beto Barata / AE 10/08/2011

O temor de Rossi: 'Estão investigando os negócios dos meus filhos'

Na longa carta entregue à presidente Dilma, Rossi cita a família mais de uma vez

Rui Nogueira de O Estado de S.Paulo,

17 de agosto de 2011 | 19h44

Apesar do acordo político entre Planalto e PMDB, que começou a ser costurado, na semana passada, depois de uma conversa da presidente Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, entregou o cargo nesta quarta-feira, 15, menos por conta do que já foi denunciado e mais pelo que ainda podia ser revelado. Ainda na quarta à noite, um assessor do gabinete da Agricultura foi taxativo: “O ministro soube que a imprensa estava investigando os negócios dos filhos”.

 

Na longa carta de demissão, entregue no início da noite à presidente Dilma, Wagner Rossi cita duas vezes o contexto familiar entre as razões que o levaram a deixar o cargo. “Começaram (os adversários e a imprensa) a atacar inocentes, sejam amigos meus, sejam familiares.” Ele encerra a carta dizendo que “a família é o limite” da resistência no cargo e que, nesta quarta-feira, “minha esposa e meus filhos me fizeram carinhosamente um ultimato para que deixasse essa minha luta estóica, mas inglória, contra forças muito maiores do que eu possa ter.”

 

Na carta, depois de listar tudo que supostamente ele implantou em oito meses de ministério, Rossi diz que respondeu a todas as denúncias e que ninguém quis dar atenção a seus argumentos. Na carta ele não cita a última denúncia, sobre o uso de um jatinho da empresa Ourofino Agronegócio, uma empresa especializada em defensivos agrícolas, sementes e produtos de saúde animal. A Ourofino tem negócios com o governo federal, recebe financiamentos do Ministério da Ciência e Tecnologia e depende de autorizações da Agricultura para fabricar produtos do setor do agronegócio, como a vacina contra a febre aftosa.

 

O ministro temeu o aprofundamento das investigações envolvendo a família dele e a Ourofino. Os filhos têm uma produtora de vídeo com serviços prestados à Ourofino, que também fez doações para a campanha eleitoral de Balei Rossi (PMDB-SP), deputado estadual.

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