'O sociólogo não fez a reforma política e o operário não fez a trabalhista', diz Marina

Ex-senadora lembrou que 'o poder pelo poder' e a 'agenda de curto prazo' atrapalham duas bandeiras conquistadas nos governos anteriores, como a estabilidade econômica e a distribuição de renda

Gustavo Porto e José Roberto Castro , Agência Estado

30 de setembro de 2013 | 17h50

São Paulo - A ex-senadora Marina Silva (sem partido) usou a ironia para criticar a falta de reformas que, segundo ela, eram necessárias para o Brasil durante os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. "O sociólogo não fez a reforma política e o operário não fez a reforma trabalhista", disse ela, por meio de teleconferência, no Exame Fórum 2013.

Marina exaltou a estabilidade econômica e distribuição de renda, marcas, respectivamente, dos governos FHC e Lula. Mas, de acordo com a ex-senadora, "infelizmente o atraso na política, o poder pelo poder e a agenda do curto prazo" ameaçam o que foi conquistado.

"Pensar nas próximas eleições e não nas próximas gerações ameaçam essas conquistas". Marina cobrou políticas de longo prazo "nos curtos prazos políticos" com uma agenda estratégica e uma governabilidade baseada em programa "e não em distribuição de cargos".

Infraestrutura. A ex-ministra do Meio Ambiente classificou como precária a infraestrutura do Brasil e afirmou que o problema não é apenas "a (infraestrutura) física com a perda de 30% da produção até chegar aos portos, mas a humana, com a falta de investimentos em educação".

Segundo ela, o problema para a falta de competitividade no Brasil é a baixa taxa de investimento. "Não transformamos as vantagens comparativas do Brasil em competitivas", disse ela.

Para ela, a falta de confiança no País foi gerada pelo governo federal aos investidores externos. "Quando se diz uma coisa e faz outra, é claro que investidores ficam com pé atrás", disse, ao citar ainda o desequilíbrio fiscal e volta da inflação como fatores que contribuíram para a perda de credibilidade.

Ela avaliou, no entanto, que o olhar externo foi otimista para o Brasil no momento da bonança, durante o governo Lula, mas que também é excessivamente pessimista agora, no momento de crise.

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