´O salário mínimo nunca foi tão alto´, afirma FHC

O presidente Fernando Henrique Cardoso apresentou na reunião ministerial uma série histórica do salário mínimo para mostrar a recuperação real ocorrida durante seu governo. "Ele (o salário mínimo) nunca foi tão alto em nossa história", ressaltou. Fernando Henrique criticou economistas que afirmam ser o salário mínimo da década de 50 mais alto que o atual. Ele disse que naquela época havia vários salários mínimos no País e o que é citado por estes economistas era válido apenas para os trabalhadores formais do Rio de Janeiro. "É um erro de estatística; faltou cabeça para analisar ou faltou boa fé", disse.Argumentou, no entanto, que é necessário melhorar as finanças públicas para que este valor possa ser aumentado já que a maior parte dos que recebem o mínimo depende do setor público. O presidente disse ainda que os investimentos estrangeiros têm se mantido em um patamar elevado inclusive em momentos de crise internacional, como em 2001, quando atingiram US$ 22,6 bilhões. Segundo ele, porém, este crescimento do ingresso de investidores estrangeiros não tem reduzido a participação do controle de brasileiros na economia. As 50 maiores empresas do País, conforme o presidente, mantiveram seu controle em mãos de brasileiros neste período, inclusive no setor bancário.Mercosul é prioridadeO presidente voltou a definir o Mercosul como a prioridade do Brasil no processo de integração internacional mas ressaltou que o Brasil não deve ter medo de ampliar este processo em negociações com a União Européia e com a Alca. "Não podemos nos integrar fisicamente com a América Central que não é nosso espaço", disse o presidente, frisando, no entanto, que o País tem interesse em fazer comércio com os países centro-americanos. Ele apresentou o mesmo raciocínio com relação à Alca. "Não queremos que se grite ´fora a Alca´. Queremos saber defender nossos interesses". Entre eles, conforme Fernando Henrique, está o fim dos subsídios agrícolas concedido pelos Estados Unidos. "Alca é mercado, não é soberania; soberania não se discute, se exerce defendendo os interesses do Brasil". Ele disse que o interesse do Brasil é o comércio que, ao contrário de soberania, se discute. "Se quiserem algo mais que o comércio, não terão", alertou. Fernando Henrique disse que, apesar das boas relações com os países vizinhos, o Brasil lutará para defender seus interesses no mercado externo. "Não vamos deixar de brigar nem com Japão, nem com a China, com quem quer que seja, pois eles brigam também".

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