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Após queda de Aécio, Alckmin quer prévias para escantear Doria

Focado em ser o candidato do PSDB à Presidência, governador age para ter comando do partido

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2017 | 03h00

Principal beneficiado, no PSDB, da queda em desgraça de Aécio Neves, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, se preocupa mais com a convenção que definirá o novo comando da sigla do que com o dilema hamletiano de ser ou não ser aliado ao governo Michel Temer.

Alckmin usa como trunfo o fato de ter sido o único grão-tucano a defender, desde a queda de Dilma Rousseff, que o partido apoiasse as reformas sem ocupar cargos na Esplanada. Portanto, não poderá ser cobrado por incoerência, tem dito a quem lhe pergunta.

Em recente encontro em São Paulo com representantes do empresariado e economistas, Alckmin se apresentou com a desenvoltura de quem acredita que voltou ao início da fila dos presidenciáveis tucanos. E fez a defesa da aprovação das reformas mesmo em caso de desembarque. 

Os presentes ao encontro, na sua maioria entusiasta de uma candidatura de João Doria Jr., saíram de lá com a impressão de que o criador enredou politicamente a criatura.

Isso porque, depois de influir na escolha do novo comando do PSDB, Alckmin se lançará na defesa incondicional das prévias. Com isso acha que liquida qualquer pretensão secreta que Aécio ainda possa alimentar de ser candidato.

E, de quebra, intimida Doria, que não poderá nem ser contra as prévias – afinal, foi por meio delas que se sagrou candidato a prefeito – nem disputar com seu padrinho.

Já o prefeito tem dois trunfos a seu favor: a expectativa de se tornar um fato consumado por meio da liderança nas pesquisas e o perfil que o eleitor demonstra querer para os candidatos em 2018, distante da política tradicional.

ENQUANTO ISSO

Serra volta a cogitar trocar PSDB pelo PSD

Depois de um período de recolhimento após ter sido citado nas delações da Odebrecht, José Serra voltou a falar em disputar o Planalto. Com a primazia de Alckmin no PSDB, cogita novamente migrar para o PSD de Gilberto Kassab.

SISTEMA DE GOVERNO

Alexandre de Moraes tira ação sobre parlamentarismo da pauta

Gilmar Mendes tuitou que estava lendo sobre parlamentarismo nas férias. O tuíte foi visto como senha para pautar a discussão no STF. O Tribunal a iniciou em 2016, mas o novo relator, Alexandre de Moraes, retirou o processo da pauta.

CASO VARIG

Julgamento pode provocar rombo de R$ 6 bi nas contas

Está pautado na volta do recesso do STF o julgamento dos embargos de declaração apresentados pelo governo no processo em que a Varig obteve direito à indenização pelo congelamento de tarifas aéreas no Plano Cruzado. O julgamento foi interrompido em março do ano passado. A relatora, Cármen Lúcia, votou contra os embargos, por entender que não houve omissão ou contradição na decisão. Se o governo perder, o rombo para o Tesouro é estimado em R$ 6 bilhões.

TEMER

Janot deve pedir diligências antes de novas denúncias

Procuradores do grupo de Rodrigo Janot negam que a “falta de pressa” nas novas denúncias contra Michel Temer seja sinal de recuo do procurador-geral. Eles afirmam que serão necessárias novas diligências, além de cruzar informações com outros inquéritos, como o que investiga a cúpula do PMDB por organização criminosa. O Ministério Público também nega que espere a delação de Eduardo Cunha para embasar a acusação de obstrução da Justiça.

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