Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

'O risco para a elite política se chama Lava Jato', avalia cientista político

Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, relacionou as mudanças no sistema eleitoral ao problemas enfrentados pela classe política

Marcia Furlan e Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2017 | 13h22

O cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, disse nesta segunda-feira, 21, no Fórum Estadão - Reforma Política em Debate, que o recente processo turbulento enfrentado pelo País trouxe como saldo positivo a discussão do tema reforma política pela sociedade.

Ele avalia que o mais importante neste momento é recuperar a crença na legitimidade do processo político. "Em boa parte das vezes em que há mudanças no sistema eleitoral, tem a ver com problemas enfrentados pela elite política. No caso atual, esse risco (para a elite política) tem nome e sobrenome: Operação Lava Jato", diz Rafael Cortez.

Para o cientista político, dois pontos sobre a reforma política são os mais importantes. O primeiro, que tem a ver com a questão da governabilidade, é o número exacerbado de partidos. E o segundo, para ele o mais relevante, é o financiamento de campanha. "Boa parte dos escândalos (de corrupção) estão relacionados ao efeito do financiamento. Me parece que essa deveria ser a atenção dada do Congresso na discussão sobre Reforma Política", diz.

Já o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas, também presente ao evento, avaliou em sua explanação que o número de parlamentares existente hoje não é o problema do País, citando diversas democracias em que esta quantidade é ainda maior e em resposta a questionamentos da plateia. "O problema pode ser o número de assessores, os valores. O número em si é um fetiche. Temos que evitar os fetiches reformistas. Algo que seria identificado como todo o mal e algo como seria identificado como todo o bem", diz Cláudio Couto. Ele também avaliou que o 'distritão' que está em discussão no Congresso não pode ser considerado como um sistema de transição. "Ele não tem nada a ver com o atual, nem com o seguinte", diz Couto. 

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