Geraldo Bubniak/AGB
Geraldo Bubniak/AGB

O retorno do compositor João Santana

Marqueteiro, condenado pela Operação Lava Jato, trabalhou na reeleição do presidente Lula e nas duas vitórias de Dilma Rousseff

Luiz Maklouf Carvalho, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2019 | 05h01

O marqueteiro João Santana, condenado na Operação Lava Jato por lavagem de dinheiro, e desde outubro do ano passado em prisão domiciliar, voltou a fazer letras de música com parceiros do antigo grupo Bendegó – entre eles, Winston Barreto, o Gereba, de 73 anos, e em plena atividade artística. Santana tem 66. “Depois de 40 anos, voltamos a compor”, disse Gereba ao Estado. “Já fizemos 12 músicas, e o João continua aquele poeta fera, de alto nível, muito melhor do que antes.” 

Entre as músicas que fizeram, está O Lema de Rondon – uma homenagem de Patinhas, seu apelido artístico nos velhos tempos, ao marechal e sertanista Cândido Rondon (1865-1958). O lema do militar, que consta da letra, é: “Morrer, se preciso for; matar, nunca”. Santana deixou o cabelo crescer e está usando barbicha. “Parece um filósofo grego”, comparou Gereba.

O outro parceiro de Santana/Patinhas é Jair Ventura dos Santos, o Kapenga, igualmente ex-Bendegó, e responsável pela parte musical das campanhas políticas nos tempos em que o marqueteiro atuava nesse ramo. Somando Gereba e Kapenga, as músicas já chegam a 30. “João ainda não resolveu como e quando o trabalho será divulgado, mas estamos conversando sobre isso”, disse Gereba.

Algumas das novas letras de Santana homenageiam grandes compositores de samba, como Cartola e Nelson Cavaquinho. Gereba e Kapenga estão na lista autorizada de visitas que o marqueteiro pode receber. 

João Santana e sua mulher, Mônica Moura, marqueteiros do PT e de outros partidos, foram alvo da 23.ª fase da Operação Lava Jato, de fevereiro de 2016, acusados de receber milhões de dólares em conta secreta no exterior e no Brasil. As duas sentenças do então juiz Sérgio Moro, o hoje ministro da Justiça, condenaram o casal, somadas as penas, a 15 anos de prisão. Como fizeram delação premiada, passaram a cumprir as penas em regime domiciliar, com tornozeleira eletrônica. O regime passará a semiaberto – quando poderão sair para trabalhar de dia, voltando à noite – em abril.

Interlagos

O domicílio-prisão é a casa de Santana no condomínio fechado Interlagos, de alto padrão, em Camaçari, próximo a Salvador. Há pouco mais de três meses, ele perdeu a mãe, dona Helena. Circulam pela casa três netos ainda na fralda – o mais velho, de 2 anos –, filhos dos filhos de Mônica Moura. 

Além de compor com a turma do Bendegó – alguns discos estão disponíveis no YouTube –, Santana está próximo de concluir um livro sobre marketing político. Entre suas conquistas na profissão que o tornou milionário, estão a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, igualmente condenado na Lava Jato e preso desde abril do ano passado, e as duas eleições da presidente Dilma Rousseff, depois alvo de impeachment. Procurado pelo Estado, João Santana não deu retorno.

Tudo o que sabemos sobre:
João Santana

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.