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O recomeço

Ainda sem ataques, fazendo a linha bem comportada, os três candidatos competitivos a presidente deram uma rearrumada nos discursos a fim de adaptá-los para a nova realidade da campanha, com a entrada de Marina Silva no páreo.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2014 | 02h04

A mexida maior, claro, até agora foi no PSB, obrigado a trocar os pneus com o carro em movimento. Com a candidatura de Eduardo Campos, a estratégia era a de acentuar a oposição ao governo Dilma e apresentar as propostas para consertar os erros cometidos por ela na visão do então candidato.

Agora, o PSB precisa mostrar, ao mesmo tempo, que honra os compromissos com os aliados, que a candidata não é tão sectária como parece, que o mercado e o empresariado não têm nada a temer, que ela terá pulso firme para governar, que suas propostas "sonháticas" não são necessariamente lunáticas e, sobretudo, que dispõe de lastro em termos de equipe para o caso de vir a se eleger.

O movimento desde os últimos dias da semana passada foi intenso nesse sentido. Emissários saíram para conversas em todas as direções: o agronegócio, o setor empresarial, a área financeira, os partidos aliados nos Estados.

Não foi esquecida nem a velha carta de união dos "melhores" do PT e do PSDB para a formação de um governo de qualidade.

A ideia muito ventilada tempos atrás andava arquivada havia mais de dez anos. Por um motivo óbvio: a completa impossibilidade de convergência entre tucanos e petistas no tocante ao papel do Estado e na relação deste com a sociedade. Mas ao PSB nessa altura cabe isso mesmo, fazer gestos de conciliação, mostrar-se agregador, capaz de unir "os melhores" como convém ao projeto de terceira via.

Evidentemente, a tal associação soa inexequível. Primeiro, porque aquelas duas forças têm candidatos à Presidência. E depois, o PT e o PSDB nessa altura pensam em tudo, menos em colaborar com a adversária.

Na realidade nua e crua, querem mais é que Marina e o PSB se esfrangalhem a fim de não conseguirem consolidar a mudança do roteiro original em que petistas e tucanos se enfrentariam no segundo turno.

No fim de semana Dilma Rousseff e Aécio Neves já começaram a explicitar a divergência, ambos ressaltando o mesmo ponto de deficiência de Marina. A presidente aproveitou uma crítica da ex-senadora ao seu perfil de gerente para qualificar a declaração de "coisa de quem não tem experiência administrativa".

O candidato tucano em suas andanças de campanha também deu um jeito de encaixar uma fala ressaltando a si como a única alternativa "segura", para destacar a representação de insegurança em Marina. Hoje à noite, no primeiro debate entre os candidatos na TV Bandeirantes, será o teste inicial do peso da artilharia das campanhas presidenciais.

Legado. No PSB há a convicção de que o partido sai ganhando mesmo se Marina Silva perder a eleição para presidente ou, se eleita, deixar a legenda quando a Rede Sustentabilidade conseguir o registro definitivo na Justiça Eleitoral.

Com a candidatura presidencial forte, o PSB tem chance de eleger boa bancada de deputados federais. Isso dará ao partido direito a um tempo de televisão maior e uma parcela mais substanciosa do fundo partidário.

Caça ao apoio. Ávidos por boas notícias, PSB e PSDB adorariam neste momento contar com a declaração de voto do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. Ambos trabalham em surdina. Nenhum dos dois ousa registrar sombra de êxito.

Ou vai... O acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa funciona assim: ou ele dá à Justiça informações - vale dizer, nomes - que permitam esclarecer o esquema de corrupção na empresa, ou não sairá da cadeia.

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