''''O rapaz está delirando'''', reage Raul Pont

Ex-prefeito classifica declarações de ?asneiras?; Olívio Dutra diz achar ?muito estranho? o ataque de Dirceu

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

04 de janeiro de 2008 | 00h00

Petistas citados pelo ex-ministro e deputado cassado José Dirceu em entrevista à revista Piauí deste mês reagiram duramente aos ataques e à afirmação de que a sede do PT em Porto Alegre teria sido construída com recursos de caixa 2.O ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont classificou as declarações do ex-ministro de "delírios", "absurdos" e "asneiras". "É um delírio, né? O rapaz está delirando", afirmou Pont em meio a risos, ao tomar conhecimento do teor da entrevista. "Sobre eu ter posições contrárias às dele no partido, disso eu me orgulho muito. É uma honra para mim", acrescentou. Pont disse se orgulhar de ser contra a política de alianças montada quando Dirceu presidia o partido. Esta foi, para ele, a origem do mensalão.O ex-prefeito negou uso de caixa 2 para construir a sede do PT em Porto Alegre. Explicou que a sede municipal foi alugada e a estadual é fruto de ampla campanha com a militância, que arrecadou recursos para aquisição do prédio. "É impensável que um sujeito que foi ministro da Casa Civil e presidente do PT por anos demonstre tamanha irresponsabilidade, fale coisas desse tipo sem nenhum fundamento", criticou.Com tom mais ameno, o presidente do PT no Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, ressaltou que não teve acesso ao conteúdo da reportagem e que a menção a seu nome ocorre "à distância". Mas completou: "Acho muito estranho. O José Dirceu não tem mais nenhum cargo na estrutura partidária, portanto não tenho com ele nenhuma relação política mais aprofundada. É um ser que tem sua história, eu respeito. Mas bueno."?RUMORES?Olívio apoiou-se no mesmo argumento que Pont ao afirmar que a sede do PT no Estado foi adquirida por meio de campanha de arrecadação e não construída pelo partido. Disse ainda que o episódio citado por Dirceu na entrevista à Piauí refere-se a uma sede que o PT tinha a intenção de adquirir. A discussão sobre a origem dos recursos, segundo Olívio, não passou de "rumores", que jamais foram aceitos por nenhum tribunal ou instância jurídica. E concluiu: "Mas eu nem estou muito interessado nessa história toda, com todo o respeito que tenho à história do Zé Dirceu".Procurado no fim da tarde de ontem para comentar as declarações de Dirceu, o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), não quis se pronunciar sobre o assunto. Em férias, o senador limitou-se a informar, por meio de sua assessoria, que não teve acesso à reportagem e, por isso, não poderia fazer nenhum tipo de avaliação. Também procurado, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) não foi localizado nem retornou mensagens deixadas em seu telefone celular.

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