Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

O que pensam alguns dos cotados para a vaga de ministro da Saúde

Primeiro a ser recebido por Bolsonaro, o oncologista Nelson Teich já criticou a discussão polarizada entre a saúde e a economia

Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 10h43

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro tem procurado nomes que possam substituir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, com quem tem divergido sobre a estratégia de combate ao coronavírus. Um dos cotados, o oncologista Nelson Teich, se encontrou com o presidente nesta quinta-feira, 16, no Palácio do Planalto, e causou boa impressão.

Veja abaixo o que alguns dos nomes citados para substituir Mandetta já falaram sobre a pandemia:

Nelson Teich

O médico oncologista foi consultor da área de saúde na campanha de Jair Bolsonaro, em 2018, e é fundador do Instituto COI, que realiza pesquisas sobre câncer. Teich tem apoio da classe médica e mantém boa relação com empresários do setor da saúde. O argumento pró-Teich é o de que ele trará dados para destravar debates “politizados” sobre a covid-19.

Em artigo publicado no dia 3 de abril em sua página no Linkedin, Teich critica a discussão polarizada entre a saúde e a economia. "Esse tipo de problema é desastroso porque trata estratégias complementares e sinérgicas como se fossem antagônicas. A situação foi conduzida de uma forma inadequada, como se tivéssemos que fazer escolhas entre pessoas e dinheiro, entre pacientes e empresas, entre o bem e o mal", afirma ele no texto.

Diferentemente de Bolsonaro, o oncologista defende o chamado isolamento horizontal – em que todos devem evitar sair de casa –como melhor forma para se evitar a propagação do coronavírus no País. "Além do impacto no cuidado dos pacientes, o isolamento horizontal é uma estratégia que permite ganhar tempo para entender melhor a doença e para implantar medidas que permitam a retomada econômica do país", diz. Bolsonaro é favorável ao isolamento vertical, apenas para grupos de riscos, como idosos e pessoas com doenças crônicas. O tema é um dos principais focos de embate entre o presidente e Mandetta.

Ludhmilla Hajjar

A cardiologista é diretora de Ciência e Inovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Integrante de um grupo de pesquisa da cloroquina, ela foi uma das médicas a se reunir com Bolsonaro no início do mês para falar sobre o uso da substância no tratamento de pacientes com covid-19. Em entrevistas, ela tem dito que o medicamento tem resultados promissores, mas, a exemplo de Mandetta, pede ressalvas na sua prescrição por não haver pesquisas conclusivas sobre sua eficácia.

Em entrevista ao site Poder 360, a médica defendeu um afrouxamento gradual das medidas de distanciamento social, como fechamento de escolas e lojas, por cidades ou regiões. “Vamos supor que tenham regiões ou cidades com número muito pequeno de casos e estável nos últimos dias. É possível você ir retirando do isolamento de acordo com essa geografia e esses dados que virão”

Como mostrou a Coluna do Estadão, Ludhmilla é médica do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), há mais de dez anos. Inclusive, foi ela quem cuidou dele quando teve um enfarte no ano passado. Apoiador de primeira hora, Caiado rompeu recentemente com o governo federal, após desentendimento sobre uso do isolamento no combate ao coronavírus.

Cláudio Lottenberg 

O presidente do Conselho Deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein, Cláudio Lottenberg, também foi citado para o cargo. O médico oftalmologista tem feito críticas à politização em torno da pandemia e é favorável a medidas de isolamento para evitar o colapso no sistema de saúde do País, mas com algumas adaptações. Em videoconferência recente no Instituto Mises Brasil, Lottemberg defendeu a testagem em larga escala para poder permitir a adoção de uma quarentena seletiva.

"Se a gente conseguisse pegar todos aqueles que não estão isolados e fazer, como se fosse um drive thru, como vimos em outros países, um programa de rastreabilidade e pesquisa de coronavírus em larga escala, e deixasse confinado só aqueles que tem potencialmente risco de usar as UTIs seria mais adequado", afirmou. "Isso exige um alinhamento de governança. O presidente da República, governadores, secretários e prefeitos. O mal é que está se caminhando para um debate muito mais de natureza política do que de natureza técnica", completou.

Filiado ao DEM, mesmo partido de Mandetta, Lottemberg preside o Lide Saúde, grupo ligado ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), desafeto de Bolsonaro.

Osmar Terra

Ex-ministro da Cidadania, o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) é um nome considerado com menos chance de assumir a pasta, mas tem se reunido com frequência com Bolsonaro. Dos citados até agora, é o que mais se alinha ao que pensa o presidente em relação ao combate à pandemia no País: é favorável ao relaxamento do isolamento, que ele considera ineficaz para evitar a propagação do vírus, e defende "experimentar" cloroquina. 

O deputado, no entanto, é o menos cotado porque não conta com o apoio dos militares e deixou o Ministério da Cidadania, segundo interlocutores do presidente, por não apresentar resultados e ser considerado improdutivo.

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