O que existe está na prestação de contas, diz ex-secretário de Tupã

Walter Bonaldo, acusado de não pagar dívidas de campanha de Vaccarezza, negou que tenha havido calote

Jair Stangler, do estadão.com.br,

11 de abril de 2011 | 07h00

SÃO PAULO - O ex-secretário de Finanças de Tupã, Walter Bonaldo (PMDB), negou que tenha dado calote em dívidas de campanha do deputado federal Candido Vaccarezza (PT), atual líder do governo na Câmara. Bonaldo confirmou que fez articulações políticas na região para ajudar o deputado, mas disse que nem ele nem o deputado trataram de dinheiro com ninguém. "O que existe tá escrito na prestação de contas. Quer ver a história? Prestação de contas. O resto fica pela maldade da política", diz.

 

O empresário Paulo Madureira, que cobra R$ 60 mil de Bonaldo e Vaccareza, é classificado pelo ex-secretário de Tupã como "louco". "O Vaccarezza é líder do governo, os caras acham que podem extorquir. Se eu te contar a história desse caboclo aqui em Tupã você vai ficar horrorizado. O cara é envolvido com droga, brigou no carnaval aqui com o filho dele", afirma. "Agora, eu não posso chegar e falar pro cara... Já "tomou tinta" (perdeu processo na Justiça). Ele pode falar que deve 20, que deve 30... Eu posso falar que é mentira, fica uma palavra contra a outra... Ele está fazendo isso pq tá com dificuldade financeira", acrescenta.

 

Segundo ele, Madureira foi indicado pelo vereador de Tupã Antonio Alves de Sousa, o Ribeirão (PP), para ajudar na campanha. Ribeirão concorreu a estadual e fez dobradinha em Tupã com Vaccarezza. "Não pedi nada para o Madureira. Foi o Ribeirão. Veio indicado do Ribeirão. Ele fez uma mixa pra uma campanha dessa envergadura. Fez uns negócios, uns banners", conta.

 

Procurado, Ribeirão negou que Madureira tenha sido contratado para ajudar na campanha. "Ele tem uma gráfica, nós só compramos alguns banners dele", explicou. Ribeirão não soube responder se quem pagou pelos banners foi a sua campanha ou se foi a campanha de Vaccarezza, mas garantiu que não há dívida com Madureira.

 

Bonaldo cita o valor baixo da maioria das dívidas e cita a arrecadação de Vaccarezza, de R$ 4,7 milhões para questionar: "você acha que isso aí ia ficar pra trás? É só botar um pouco de racionalidade. A briga política é um negócio que eu não quero nem me envolver porque é do âmbito partidário".

 

MARÍLIA

 

Ele conta que deu os cheques para o PT de Marília para atender ao pedido de um amigo. "Veio um amigo meu, que é o João (Ribeiro), pedir ajuda porque não tinha dinheiro para pagar o posto. Eu dei o meu cheque. Fiz um empréstimo e dei dois cheques de 2.500. Está escrito na doação de campanha, não para o Vaccarezza, mas pros caras lá (em Marília", explicou. Segundo ele, na campanha de Vaccarezza você não tem acesso ao dinheiro porque "é tudo centralizado em São Paulo".

 

Sobre o engenheiro Zé Menezes (PSL) que fez dobrada com Vaccarezza em Marília, Bonaldo diz considerar "uma aberração da natureza" ele falar que o Vaccarezza deve R$ 270 mil. "Agora que o cara perdeu a eleição, ele precisa achar culpado", pondera.

 

"Não tem dinheiro nessa parada. O dinheiro vai para o comitê. Tem gráfica que está na prestação de contas que faz o santinho, é só mandar para ela. O que está apalavrado é a relação política. Vamos dizer que o cara seja de uma tendência do PT. Para ele se fortalecer lá em Marília, ele precisa fazer aliança política. Aí eu chego lá e a gente fala: O que vocês têm para ajudar? 'Ah, eu trabalho no meu bairro, no meu bairro sai 500 votos, porque moro lá há 50 anos'. E o que a gente vai dar em troca? 'Ah, eu preciso de papel, preciso de gasolina'. Bom, então tem o seguinte: Você fala com essa pessoa aqui que é a pessoa que responde pela parte financeira. A minha relação é política", explica.

 

"Eu acho que é uma molecagem o que tão fazendo. Se fosse o zezinho das couve, nego nem ia dar bola", afirma.

 

Bonaldo também rebateu acusações de que teria apropriado do dinheiro e adquirido um carro novo. "A Santa Fé nem é minha, é emprestada. Vai ver se ela está no meu nome. Eu não tenho recurso para ter uma Santa Fé", alega. Ele se dispôs ainda a abir suas contas. "Sou um cara trabalhador, não sou um cara de esquema", defende-se. "Eu não sou rico. depois de 30 anos correndo trecho não tenho um processo em cima de mim", acrescenta.

 

Bonaldo atribui as denúncias a briga interna do PT. "Os caras tão fazendo uma luta interna. O que leva, para você me ligar, repórter do Estadão, me ligar aqui em Tupã? O tamanho dele não permite que ele tenha "casos extraconjugais", ter caixa 2... Está tudo explicado lá. Agora eu não posso chegar para o cara e falar 'não fala isso'. Cada um fala o que quer", disse. "O que é inacreditável é o seguinte. Você faz 150 cidades e os caras reclamam de Bastos, Adamantina, que representa, 0,00 do universo eleitoral. Só pode ser um envolvimento político muito forte", completa.

 

"Quantos votos tem nessas cidades?", questiona Bonaldo. A reportagem pergunta se o trabalho de um colaborador pelo número de votos. "Ué, você tem um relacionamento, você pede ajuda, o cara chega e fala 'eu vou entrar na sua campanha', tem que dar um determinado número de voto. Você pergunta: 'o que que pode ajudar? Presica material, isso, isso, etc?'

 

Bonaldo, que é economista formado pela Unicamp, conta que trabalhou em vários governos estaduais, como o de Franco Montoro, Orestes Quercia e Luiz Antônio Fleury Filho. Diz que se tornou amigo de Vaccarezza há 17 anos, quando não era nem secretário-geral do PT.

 

Explicou que foi para Tupã no incício de 2009 após prestar consultoria financeira através da Fundação Getúlio Vargas para várias prefeituras do interior, inclusive Tupã. "Eu já tinha feito assessoria, e o prefeito falou: 'preciso de um cara que conheça o mundo político pra gente ampliar a articulação política do governo'. Uma cidade pequena, 60 mil habitantes. Foi uma opção de vida, porque eu tive uma filhinha, vai fazer 3 anos agora, e eu não queria criar ela em Campinas", explicou.

 

Segundo ele, quando Vaccarezza foi para a reeleição, resolveu apoiá-lo e decidiu sair da prefeitura porque o prefeito Waldemir Gonçalves Lopes era do PSDB. "Aí eu pedi demissão e fui fazer campanha, tinha umas reservas econômicas", diz. Segundo ele, seu trabalho foi 'abrir' o interior para Vaccarezza. "Aqui no interior a gente faz política pessoal, não é uma coisa organizada que nem nos grandes centros que você tem ideologia e tal. Então em função desse meu relacionamento que eu tive com muitas prefeituras, em função do meu trabalho anterior, eu tive conhecimento e acabei ajudando ele, o (deputado estadual Jorge) Caruso (PMDB)", conta. "O Vaccarezza foi votado em 640 cidades. Eu fiz umas 150, 180 cidades de relacionamento pessoal. Tudo na conversa, teve o pessoal de Avaré... Expandimos o interior. A base dele é na capital.

 

Ele diz que não recebeu nada para fazer campanha. "Se perguntar para o Aldo, Vaccarezza, Zé Dirceu, sempre fui militante. Por causa disso eu estou desempregado agora, vivendo de bico, fazendo um projeto aqui e outro ali", relata. Bonaldo revelou ainda que está procurando emprego e que pretende sair de Tupã.

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