O PT e o inventário dos erros

Convocação de um encontro extraordinário em novembro para analisar equívocos cometidoa ao longo da trajetória da partido provocou divergências na reunião do Diretório Nacional petista

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2016 | 18h06

BRASÍLIA - A convocação de um encontro extraordinário do PT em novembro para fazer um inventário dos erros cometidos pelo partido ao longo de sua trajetória no governo, desde 2003, provocou divergências na reunião do Diretório Nacional petista, nesta terça-feira, 17.

A ala majoritária do PT se dividiu sobre a conveniência de promover uma eleição para escolher os delegados que participarão do encontro. A alegação foi de que a acirrada disputa interna, antes mesmo de novembro, pode contaminar as campanhas municipais do partido.

Na prática, o temor de muitos dirigentes é que haja um racha irremediável do PT nessa nova briga, que tem tudo para escancarar uma nova correlação de forças no partido. O 5.º Congresso do PT, realizado em junho do ano passado, em Salvador, tinha quase 800 delegados eleitos havia mais de três anos. Era uma configuração envelhecida.

O balanço dos erros, o acerto de contas e a atualização do ideário petista na maior crise do partido - com a presidente Dilma Rousseff afastada em um processo de impeachment e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na mira da Lava Jato - são os capítulos que mais causam polêmica nessa temporada.

Agora, as correntes mais à esquerda do PT, aliadas à Mensagem ao Partido - segunda força interna no espectro ideológico da legenda - pressionam por mudanças, que começariam pelo encontro extraordinário, em novembro.

É ali que o PT pretende “lavar a roupa suja” para tentar reconstruir sua imagem num futuro não muito distante. A aposta para virar o jogo está em São Paulo, onde o prefeito Fernando Haddad (PT) concorre a um segundo mandato. A cidade é considerada a “joia da coroa” para o projeto de poder do partido. Trata-se da primeira etapa de um processo que tem como foco a eleição presidencial de 2018. Uma disputa em que a candidatura de Lula depende do desfecho da Lava Jato.

Quanto à renovação dos delegados para o encontro extraordinário de novembro, o PT decidiu chamar uma nova reunião, a ser marcada no fim deste mês, para definir os critérios da eleição interna. O impasse continua.

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