Nicholas Kamm/AFP
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'O PSDB vai fazer convenção para nos tirar do governo?', pergunta Aloysio

Para chanceler, questão do desembarque está 'superada' e não poderá ser o centro dos debates no encontro dos tucanos

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 16h27

BRASÍLIA - Às vésperas da convenção do PSDB, marcada para 9 de dezembro, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, afirmou que a questão do desembarque dos tucanos do governo Michel Temer está “superada” e não poderá ser o centro dos debates naquele encontro. Na avaliação do chanceler, em vez de se pautar por uma disputa de “facções”, o PSDB deveria se debruçar sobre sua plataforma para as eleições de 2018, a fim de que esse arcabouço servisse como “base” para as alianças.

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Até agora, no entanto, não há acordo entre o grupo governista do partido e a ala que prega o rompimento com Temer, com a imediata entrega dos cargos no primeiro escalão. “O PSDB vai fazer uma convenção para tirar Aloysio, Imbassahy e Luislinda do governo? Não acredito nisso”, disse o chanceler ao Estado, em uma referência aos ministros Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Luislinda Valois (Direitos Humanos). “Vamos romper com o governo, ir para a oposição e fazer aliança com o PT e o PSOL?”, provocou.

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Na prática, o PSDB está cada vez mais rachado. O partido ainda controla três ministérios e apenas Bruno Araújo entregou a pasta de Cidades, que irá para o deputado Alexandre Baldy (GO), aliado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Baldy está prestes a se filiar ao PP, que compõe o bloco parlamentar conhecido como Centrão.

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A defesa do desembarque da gestão Temer é defendida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pela maioria da bancada do PSDB na Câmara e até pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto. No Congresso, o movimento para abandonar o governo é capitaneado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que foi destituído do comando da sigla pelo colega Aécio Neves (MG), alvo da Lava Jato.

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Na convenção de 9 de dezembro, Tasso vai disputar a presidência do PSDB com o governador de Goiás, Marconi Perillo, que é favorável à permanência dos tucanos na equipe e conta com o apoio do Planalto. O ex-governador Alberto Goldman, presidente interino do PSDB, ainda tenta costurar um acordo entre os dois, mas até hoje não obteve sucesso na empreitada.

SOBREVIDA

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Articulador político do governo com o Congresso, Imbassahy ganhou sobrevida depois que o Centrão foi contemplado com o Ministério das Cidades, que é dono de um orçamento de R$ 10,1 bilhões e cuida de programas sociais de peso, como o Minha Casa, Minha Vida. Lançado na gestão petista, o plano será apresentado como “vitrine” da administração Temer nas eleições de 2018.

Estado apurou que Imbassahy não será deslocado nem para Direitos Humanos nem para o Ministério da Transparência. O PMDB quer indicar um deputado para ocupar a cadeira do tucano, mas as várias alas do partido não chegaram a um acordo sobre o nome. Um grupo gostaria que o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, acumulasse a função de Imbassahy até dezembro. Não há, porém, consenso sobre essa ideia. Enquanto a disputa não se resolve, Imbassahy vai ficando no mesmo lugar e pode até migrar para o DEM.

Luislinda deixará o governo em breve, mas Aloysio permanecerá como chanceler, embora mostre irritação ao falar sobre o assunto. “A decisão é do presidente. Minha preocupação não é com cargos”, desconversou ele, que concorrerá à reeleição ao Senado, em 2018. “Só acho que o desembarque não pode ser o foco de um partido que já governou o País e tem ambição de voltar a governá-lo.”

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