‘O PMDB ganhou com a Dilma e quer a cogestão’, diz Henrique Eduardo Alves

Segundo o peemedebista, ao votar Código Florestal contra posição do governo, partido optou pelo País, e não fez pressão por cargos

João Domingos / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 23h00

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), diz que seu partido disputou a eleição e saiu vitorioso, juntamente com a presidente Dilma Rousseff. Portanto, deve participar da gestão do governo, com a indicação de nomes para a administração. Mais do que cargos, diz ele, o partido quer encargos. O líder nega que a posição do PMDB a favor das mudanças no Código Florestal jamais teve qualquer ligação com a demora no governo em definir as nomeações de segundo e terceiro escalões.

 

Henrique Alves lembra que na votação do salário mínimo de R$ 545, o PMDB foi o mais fiel de todos os partidos da base aliada. "Aquela era uma questão de governo, o Código não."

 

Qual a relação entre o preenchimento de cargos do PMDB e a votação do partido a favor do novo Código Florestal?

 

Nenhuma. Quando se declara e se escreve que o PMDB votou o Código Florestal aparentemente contra o governo é uma brutal injustiça com o partido. O Código Florestal não envolve uma questão de governo. É uma questão de País. A votação do PMDB a favor do Código Florestal não foi uma reação do PMDB contra, como dizem, a uma suposta protelação do ex-ministro Antonio Palocci em atender pleitos do partido. Votamos porque o relator Aldo Rebelo nos convenceu plenamente de suas razões. Ele e o presidente da comissão especial, Moacyr Micheletto (PMDB-PR), percorreram 24 Estados, fizeram mais de 90 audiências públicas, ouviram a Embrapa, órgãos ambientais, representantes de produtores rurais, agricultores, pecuaristas. Foram ouvidos também de maneira responsável os representantes da questão ambiental.

 

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, foi muito ponderada. Foi capaz de articular e resolver muitas questões dadas como impossíveis. Chegamos a 98% de consenso. Um ou dois itens não foram consensuais, mas é normal numa matéria de tamanha complexidade.

 

Mas o governo ficou contrariado com o resultado...

 

Era um direito da Casa decidir e o meu partido quis decidir daquele jeito, porque foi o melhor para o Brasil que produz, que gera riquezas em absoluta convivência com o meio ambiente. Por isso o Brasil hoje tem dois títulos: o de que mais respeita o meio ambiente e o de que é um dos que mais produzem.

 

Se o partido é governo, os cargos não deveriam sair automaticamente, como saem para o PT?

 

O PMDB não aguenta mais essa colocação pejorativa que se faz com um partido de sua grandeza, história e tradição. É preciso compreender que o PMDB ganhou a eleição junto com a presidente Dilma e com os outros 14, 15 partidos que a apoiaram. Queremos é a cogestão, que é natural em todos os governos democráticos do mundo. O partido quer oferecer seus quadros para essa oportunidade, sabendo que quem decide é a presidente. Mas do direito de indicar o partido não abre mão. O partido não quer cargos, quer encargos para ajudar a Dilma.

 

E como serão esses encargos?

 

São parcerias e planos de trabalho para o Brasil e para a atuação no Congresso. Temos aí a emenda 29 (que regulamenta o repasse de recursos para a saúde) a ser regulamentada, vamos ter um problema que se arrasta em relação à PEC 300 (que unifica os salários das polícias militares em todos os Estados e provoca um rombo de cerca de R$ 32 bilhões no Tesouro da União), que tem uma dificuldade operacional em relação aos governos dos Estados. São exemplos de que temos de nos unir cada vez mais.

 

Como o PMDB se comportará?

 

O PMDB está pronto, na sua unidade, na sua responsabilidade, para enfrentar todos os desafios de ser governo – e não estar no governo. De ter um vice-presidente muito consciente de seu papel. Queremos que respeitem o PMDB pela sua unidade, o que se constitui na sua grande força. O PMDB conseguiu, afinal, depois de erros, atropelos e dissidências, ser um partido unido e coeso, e com muita consciência de seus deveres com o País e de seus direitos de pleitear, reivindicar e construir um novo Brasil.

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