Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

'O País está no caminho certo', diz imigrante português

Vivendo em São Paulo desde junho, Marcos Pereira gerencia modernização de linhas da CPTM

Pablo Pereira, de O Estado de S. Paulo,

19 de novembro de 2011 | 20h33

Ele ainda está se acostumando com o tamanho de São Paulo. Chegou ao Brasil em junho, viveu em hotel até agosto, quando alugou um apartamento em Perdizes, zona oeste, para trazer a mulher, Mónica, e a filhinha, Leonor, de 3 anos. Marcos Pereira, de 36 anos, português, nascido e criado até os 10 anos na Alemanha, é formado em eletrotécnica em Portugal e deixou a pequena cidade Vila das Aves, a cerca de 40 quilômetros do Porto, para gerenciar um projeto de modernização das Linhas 2 e 7 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em São Paulo.

 

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Pereira foi contratado por dois anos pela Efacec, empresa portuguesa que tem negócios no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Estados Unidos e Europa, na área de energia e transportes. Operador de um projeto do metrô do Porto, foi chamado para trabalhar no Brasil após o final da obra de extensão na cidade, que fica ao norte de Portugal.

 

Ele ainda não sabe por quanto tempo vai ficar no País. A empresa cuidou dos trâmites legais da imigração e o futuro depende do andamento dos negócios da Efacec. Há colegas dele, na própria Efacec, que vieram para trabalhar por dois anos, mas estenderam a estadia.

 

O português migrante ainda estranha o gigantismo da metrópole paulista ao olhar pela janela do 28.º andar do prédio da Rua Líbero Badaró, no centro. "Na minha vila não há edifícios assim", diz, observando a região. Ele estranha especialmente o trânsito. Mas elogia a limitação da velocidade dentro da cidade. "Assim é mais fácil conduzir", argumenta – querendo dizer "dirigir".

 

A mulher, professora, ocupa o tempo nos cuidados com a filha, que deve ser aceita na escola somente em fevereiro. "Ela está a buscar", continua Pereira, explicando que a mulher procura oportunidade de trabalho "com educação infantil" para quando Leonor for para o colégio. Por enquanto, diz, "a menina ainda está a precisar dos sonos, das sestas".

 

Cooperação

 

Nesta fase da adaptação, a família procura mesmo é entender o ambiente brasileiro. Mónica, que é de Peniche, no litoral, a cerca de 100 quilômetros de Lisboa, também não conhecia o Brasil. "Pouco saímos de casa. Despendemos o tempo livre com a oferta cultural infantil, que nesta cidade é incrível", afirma Pereira.

 

O português diz que a situação na Europa está difícil, que "o Brasil está no caminho certo", e que deve melhorar muito nos próximos anos. Pereira conta que a opção por trabalhar no País, que ele não conhecia, foi feita por causa do idioma. "Para a adaptação da família à língua", explica.

 

No trabalho, está contente com o que encontrou. "Os portugueses são muito exigentes consigo mesmo. Já o jeito dos brasileiros é diferente. Os brasileiros facilitam a cooperação, a integração. E isso contribui muito para o resultado do trabalho. As pessoas unem-se para fazer acontecer", afirma.

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