O novo retrato de um País que melhora mas é muito injusto

O Brasil começou a nova década com mais eletrodomésticos, melhor infra-estrutura nas moradias e mais acesso à educação, mas sem vitórias a comemorar na luta contra a baixa renda e a desigualdade social. O mercado de trabalho continuou marcado pela combinação de alta informalidade e baixa contribuição para a Previdência. A primeira Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do século, relativa a 2001, foi divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e traça um perfil das famílias e em especial dos trabalhadores brasileiros.A PNAD investigou pela primeira vez os domicílios com computadores e a distribuição dos alunos em escolas e universidades públicas e privadas. Em 2001, 21 milhões de pessoas viviam em domicílios com computador. A pesquisa mostrou que a grande maioria dos estudantes brasileiros continua freqüentando a escola pública. O quadro se inverte no ensino superior, com cerca de 70% dos alunos em universidades particulares."O Brasil tem um estoque de 500 anos de desigualdade. A distribuição de renda é estável, com pequena redução. Mas é importante registrar que em uma década e meia de democracia caiu a disgualdade no acesso a bens e aos serviços públicos", resume o presidente do IBGE, Sérgio Besserman. A aparente contradição entre queda da renda do trabalhador e aumento dos bens duráveis, segundo Besserman, pode ser explicada por dois fatores: "De um lado, os preços estáveis permitem o acesso a crédito e a programação orçamentária. De outro, a tecnologia proporcionou a redução do preço real dos bens duráveis."Os números mostram que houve um aumento do rendimento do trabalhador entre o início da década passada e o desta década. No entanto, desde 1996, a renda vem caindo ano a ano, chegando a uma queda do valor real da remuneração de 10% em cinco anos.A PNAD ouviu 378.837 pessoas em 126.858 domicílios de todo o País, com exceção da área rural da região Norte. As pesquisas foram feitas na última semana de setembro do ano passado. O que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2001

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