O museu que virou encrenca

Novo governador do Maranhão, Flávio Dino fala em privatizar memorial que exalta trajetória de Sarney, seu adversário histórico, mas volta atrás; agora, gestão do PC do B promete 'reformulação'

Diego Emir, enviado especial para O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2015 | 10h10

 SÃO LUÍS - A Fundação da Memória Republicana Brasileira, que abriga um museu em homenagem ao senador e ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), se transformou num problema para o governo de Flávio Dino (PC do B), adversário histórico do clã que dominou o Maranhão dos anos 1960 até o ano passado. 

Na semana passada, Dino fechou o museu, mandou os funcionários embora e anunciou estudos para a privatizar a entidade, cujo funcionamento custou aos cofres do Estado algo em torno de R$ 8 milhões entre 2012 e 2014. Mas os moradores do bairro reclamaram, já que no convento das Mercês, onde a fundação e o museu estão instalados, havia cursos de reforço escolar para crianças. A nova gestão diz agora que vai realizar uma "reformulação" - o governador nomeou o procurador do Estado Valdênio Caminha como gestor da instituição. O clima, porém, ainda é de total indefinição sobre o que fazer com a estrutura. 

Na noite de segunda-feira, 19, um vídeo divulgado pela TV Mirante, emissora da família Sarney,  mostrou uma conversa entre três secretários estaduais na qual  eles discutem o futuro do local. Bira do Pindaré, secretário de Desenvolvimento Social, propõe a transformação do Convento das Mercês em um memorial das vítimas da ditadura militar. Participavam da reunião Márcio Jerry, secretário de Articulação Política, e Francisco Gonçalves, secretário de Direitos Humanos. 

O secretário de Articulação Política anunciou dias depois que o museu será reaberto ao público, com as suas atividades educacionais, em fevereiro. Segundo Jerry, novos servidores serão nomeados para trabalhar no local. Ele descarta a privatização, fala apenas em "reformulação". "Não podemos personalizar uma instituição pública, se a fundação se chama Memória Republicana, que se faça uma exposição de outros presidentes e não só da figura de José Sarney, como ocorre atualmente", argumenta.  

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