ED FERREIRA/AE
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'O meu cartão é branco, o da paz', diz Sarney

Um dia após protesto de Suplicy com cartão vermelho, presidente do Senado tenta dar clima de normalidade

Eugênia Lopes e Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo,

26 de agosto de 2009 | 20h09

"O meu cartão é o cartão branco; o cartão da paz." Com esta frase e no comando de uma pauta burocrática, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tentou imprimir nesta quarta-feira, 26, um clima de normalidade à sessão ordinária da Casa e pôr fim à crise que há mais de dois meses toma conta dos discursos dos senadores em plenário.

 

No dia seguinte ao gesto teatral do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que empunhou um cartão vermelho na tribuna do Senado para defender a renúncia de Sarney, as votações se restringiram à aprovação de nomeações de autoridades. Mas, pelo menos, ninguém subiu à tribuna para pedir o afastamento do presidente do Senado.

 

 

Presidente nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE) deixou claro que a oposição está disposta a dar uma trégua ao presidente do Senado. Na sessão deliberativa da tarde desta quarta, o tucano cobrou de Sarney declarações feitas na semana passada, ocasião em que o presidente do Senado culpou a oposição, em particular o PSDB, pela crise na Casa. "O PSDB jamais conspirou contra o mandato de V.Exa. Considero injusta e equivocada a afirmação de que o PSDB está na origem dessa crise", reclamou Guerra.

 

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"O PSDB não teve nenhuma responsabilidade na origem dessa crise. Se naquela hora fui induzido pelo repórter a dizer isso, eu peço desculpas", respondeu Sarney, encerrando a polêmica.

 

Votações tranquilas

 

Além de não ouvir pedidos para que se afaste do cargo, Sarney pôde presidir uma sessão aparentemente tranquila, em que foram votadas as indicações de dois embaixadores, um diretor da Agência Nacional de Águas e a indicação de um integrante do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

 

"Votar uma pauta burocrática não é sinal de que tudo voltou ao normal", afirmou o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). Ex-presidente do Senado, Garibaldi disse que a Casa só voltará à normalidade quando forem votadas matérias polêmicas e complexas.

 

"Mas isso fica difícil de acontecer nesses momentos porque implica em negociações, onde o árbitro é o presidente da Casa", observou. "Acho que temos que nos concentrar no trabalho. O espetáculo deve cessar. Tivemos muitas manifestações heterodoxas de todos os lados. Esta na hora de acabar o recreio e começar o trabalho sério", afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR).

 

Segundo ele, o presidente Sarney deverá ler, na próxima semana, o texto da Medida Provisória 462, que garante o repasse de R$ 1 bilhão para o Fundo de Participação dos Municípios. Esta MP foi aprovada na Câmara antes do recesso parlamentar, mas até hoje não teve sua tramitação iniciada no Senado. Pelo regimento do Senado, só depois de lida em plenário, a MP começa a tramitar na Casa.

 

Na tentativa para que o Senado volte a trabalhar, o líder do PSB, senador Antonio Carlos Valadares (SE), subiu à tribuna para criticar os líderes aliados e cobrar sua presença no plenário. "Se as coisas não estão andando, a culpa não é da oposição. A oposição está no seu papel ao obstruir as votações", disse o socialista.

 

"Quem não está aqui é o governo. Apenas eu estou aqui. Sou vice-líder do governo e líder do PSB, mas estou querendo que meus companheiros estejam aqui comigo", afirmou Valadares. Ele cobrou a presença nominalmente dos líderes do governo no Congresso, Ideli Salvatti (SC); e do PT, Aloizio Mercadante (SP), além de Jucá. "Legislar nesta Casa tem sido uma exceção", avaliou Valadares, ao observar que falta "integração entre o PT e a liderança do governo" para que a pauta ande.

 

Na terça-feira, os senadores de oposição se recusaram a participar de reunião com Sarney para definir a pauta de votações do Senado. Prometeram também obstruir as sessões de votação. O líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN), argumentou que o partido estava "desconfortável" e não queria votar nenhum projeto polêmico.

 

Desde que voltaram do recesso parlamentar, no início de agosto, os senadores não votaram nenhuma proposta mais complexa, a não nomeação de embaixadores e ratificação de acordos de cooperação econômica internacional.

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