?O jogo começa agora?, avisa presidente do STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, disse que não ficou desanimado com o relatório do deputado José Pimentel (PT-CE) sobre a reforma da Previdência, mas que acredita que o Judiciário conseguirá reverter o ponto que fixou o salário dos desembargadores dos Estados em 75% dos vencimentos de ministro do STF. "Não estou desanimado porque, para usar a expressão do gosto do presidente da República, agora que foi dado apenas o apito inicial. Na verdade, o jogo começa agora, e não nos sentimos derrotados". Corrêa observou que o Judiciário já teve algumas conquistas no relatório, como a garantia da integralidade e paridade dos atuais servidores. Ele qualificou como "crucial" a fixação do teto do Judiciário dos Estados. "Colocar um desembargador para ganhar menos do que ganha um juiz-substituto da Justiça Federal é inconcebível e inexplicável", sustentou. "Tenho confiança nas lideranças da Câmara dos Deputados, no presidente daquela casa, deputado João Paulo, de que tudo aquilo que foi combinado conosco seja realmente reposto nos seus devidos termos. Assim agem os homens de palavra". Maurício disse que não tem a menor dúvida de que esse quadro será revertido "pela posição soberana, altiva e independente do Congresso. Eu não tenho razão nenhuma para duvidar de que aquilo que eles prometeram seja cumprido". Ele disse desconhecer a razão pela qual o relator não fixou o teto do Judiciário dos Estados em 90%, como queria a magistratura. Questionado se o STF poderia aderir a uma eventual greve de juízes em protesto contra a reforma, ele disse: "O Supremo se posiciona terminantemente contra a greve". Corrêa deu a entrevista depois de uma reunião com os presidentes dos 27 Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal.Inconformados O presidente do Tribunal de Justiça (TJ) da Bahia, desembargador Carlos Alberto Dutra, disse que os desembargadores ficaram inconformados com o recuo do governo na proposta de reforma previdenciária, ao reduzir o subteto salarial dos desembargadores para 75% dos vencimentos de ministro do Supremo Tribunal Federal, em vez dos 90% pretendidos pela magistratura. "Depois de definido o subteto 90% (do salário de ministro do STF), se recuou para atender intereesse dos governadores", reclamou Dutra, depois de um encontro dele e dos demais presidentes de TJs dos Estados e do Distrito Federal com o presidente do STF, Maurício Corrêa. "Mas estou convencido de que haverá recondução do tema". Dutra disse, ainda, que não vê como ameaça concreta uma greve de juízes antes de uma decisão da comissão especial da Câmara que examina a reforma da Previdência, mas adiantou que, para os presidentes dos TJs, não interessa a greve.

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