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O ''irrecuperável'' que virou ministro

Para militares, Franklin era perigoso

Marcelo de Moraes e Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2009 | 00h00

Na 46ª reunião do Conselho de Segurança Nacional, em fevereiro de 1969, o presidente Arthur da Costa e Silva não conseguiu esconder sua irritação ao discutir o pedido de cassação do senador Mário Martins, do MDB da antiga Guanabara. Além de reclamar das atividades do senador, Costa e Silva disparou sua raiva contra o filho do político, o então jovem líder estudantil Franklin Martins, hoje ministro da Comunicação de Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Enquanto lê a ficha de Mário Martins, Costa e Silva se refere, irritado, ao comportamento de Franklin. O presidente não esquecia o que considerou um comportamento inconveniente de Franklin e de outros líderes estudantis ao serem recebidos por ele no Palácio do Planalto, por conta do acirramento dos protestos dos estudantes no ano anterior.Costa e Silva reclamou que Franklin era "acintoso". "Com os demais membros da comissão se apresentou em mangas de camisa para a entrevista àquela comissão. Impedido de entrar naqueles trajes vestiu blusão que a ele foi emprestado, fato que denunciaram declarando que o presidente da República, só por ser mais velho, não merecia tal consideração", protestou o presidente para os ministros."Na minha presença, os membros daquela comissão se portaram da maneira mais inconveniente, pelo que eu os admoestei. O filho de Mário Martins é um ativista e eu o considero mesmo irrecuperável", previa o marechal.De certa forma, Costa e Silva acertou no relacionamento que Franklin teria com a ditadura. Em setembro de 1969, ele participou diretamente do sequestro do então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, no movimento mais ousado dos grupos de resistência armada ao regime militar.Costa e Silva acabou decidindo pela cassação do senador, independentemente do comportamento do filho, se dizendo decepcionado com a trajetória de Mário Martins. "Eu, francamente, estou decepcionado com ele, pois tinha a impressão de que ele era um talento", avaliou.E, novamente, acertou ao prever que a cassação do pai teria efeitos sobre o destino do filho. "Com essa cassação, tenho certeza que não recuperaremos nunca mais esse moço", diz.

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