Beto Barata/AE - 31.05.2011
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O inferno astral de Romero Jucá

Líder do governo comemora 57 anos nesta quarta em meio a turbilhão de problemas e críticas sobre sua atuação em votações de projetos de interesse do Planalto

Andrea Jubé, da Agência Estado

30 de novembro de 2011 | 15h04

BRASÍLIA - O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), comemora nesta quarta-feira, 30, 57 anos e o fim de um turbilhão de problemas que o atropelaram durante o seu inferno astral – os 30 dias de tensão e revezes que antecedem a data de aniversário. Nas duas últimas semanas, o líder dos governos Fernando Henrique, Lula e Dilma Rousseff foi acusado de fazer corpo mole na votação da DRU (Desvinculação das Receitas da União), item prioritário do Planalto no Congresso, assistiu à quase cassação de seu principal aliado no Estado, o governador de Roraima, Anchieta Júnior (PSDB), e para arrematar, passou um final de semana no hospital.

 

Na última semana, quando o projeto que prorroga a DRU por mais quatro anos – ferramenta que Dilma definiu como indispensável ao equilíbrio fiscal – começou a tramitar no Senado, Jucá foi acusado de não tomar a frente dar articulações para acelerar a matéria. Normalmente articulado e desenvolto, o líder governista desfilava pelo Senado um ar abatido e circunspecto, de poucos amigos. Jucá foi coadjuvante na articulação que garantiu a votação da DRU em menos de 48 horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), encabeçada pelo presidente da comissão, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e pelo relator da proposta, Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

"Ele está assim porque os 60 (anos) estão chegando", provocou um conterrâneo sobre a apatia do peemedebista. Mas numa conversa informal com o Estado, Jucá admitiu que alguma coisa estava fora da ordem: "É preocupação com Roraima e muita coisa na cabeça". De fato, ele não escondia a apreensão com o julgamento do governador Anchieta Júnior, que responde a dois processos de cassação por abuso de poder e compra de votos na campanha de 2010. Mas nessa terça-feira, 29, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou arquivar um dos processos contra o governador - um presente de véspera para Jucá, que foi ao tribunal acompanhar a sessão do plenário. Em contrapartida, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR) deve retomar nesta semana a análise de outro processo contra Anchieta.

 

Além de tudo, Jucá tem seus próprios dissabores com a Justiça. Há duas semanas, o relator de um dos inquéritos pelos quais ele é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, mandou registrar o nome do peemedebista por extenso na capa do processo. Foi uma reação de Britto a reportagem do Estado, revelando que o Supremo mantinha ocultas as identidades de 152 políticos sob investigação, identificando-os apenas pelas iniciais do nome.

 

Hoje, entretanto, parte da reunião da CCJ foi dedicada aos cumprimentos bem humorados a Jucá. O vice-líder do PSDB, Flexa Ribeiro (PA), mencionou os "35 anos de Jucá", no que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disparou: "São 35 anos de líder do governo"! Mas se a conspiração dos astros contra Jucá acaba hoje, uma fatia do PT se incumbe de uma conspiração paralela: resgatar para o partido o cargo de Jucá. Se de um lado os petistas inquietam Jucá, em outra frente, a oposição está com ele e não abre. "Jucá tem palavra e cumpre os acordos, nós preferimos ele", diz o líder do DEM, Demóstenes Torres (GO).

 

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