Marcos Corréa/PR
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O gabinete das decisões cretinas

Como é possível errar tanto, em tão pouco tempo, na Educação?

J.R.Guzzo, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2020 | 14h53

Da área da educação, no governo do presidente Jair Bolsonaro, sempre se esperou o pior. Eis aí um ponto em que o governo não desapontou os seus mais indignados adversários: entregou, desde seu primeiro dia, tudo o que conseguiu em matéria de coisa ruim. Falando, ninguém acreditaria, mas o fato está aí: em apenas dezoito meses no cargo, Bolsonaro já está a caminho do seu quarto ministro da Educação, um desastre mais do que perfeito em matéria de imagem e um presente dos céus para quem acusa o seu governo de ser incapaz de governar Brasil. Neste campo, possivelmente o mais vital para a transformação disto aqui num país decente, está com um índice de 100% em matéria de aproveitamento negativo: conseguiu escolher três ministros e errou na escolha dos três. Bobagem ficar achando que não é assim: se algum deles prestasse para alguma coisa, não teria sido preciso botar os três na rua. O último não chegou a completar nem sequer 15 minutos no cargo, demitido antes de tomar posse por absoluta insuficiência de qualificações para exercer uma função dessa importância.

Como é possível errar tanto, em tão pouco tempo, numa área tão crítica para o presente e o futuro do Brasil? Nada garante com tanta eficiência a manutenção da desigualdade, da injustiça e da concentração de renda no país como a qualidade calamitosa da educação pública – ela impede, simplesmente, que a imensa maioria dos brasileiros pobres tenham as mínimas condições de competir por uma vida melhor, algo que pode ser obtido unicamente através da aquisição de conhecimento. O sistema educacional do Brasil, desde sempre, nega essa oportunidade. É como se mantivesse na legalidade o sistema da escravidão – em termos econômicos e sociais, o resultado concreto é o mesmo. Os 125 bilhões de reais que você está pagando neste ano de 2020 para manter o Ministério da Educação continuam em sua maior parte sendo jogados no lixo num sistema que dá o máximo para sustentar professores e funcionários de uma universidade de terceira categoria e o mínimo para o ensino básico – onde se decide, no mundo real, se uma sociedade vai ou não ser analfabeta.

O governo Bolsonaro se meteu numa briga de sarjeta com seus inimigos para ter o controle do que se ensina nas salas de aula do Brasil – em grande parte, com certeza, pura propaganda esquerdista da qualidade mais primitiva, fruto da passagem pelo Ministério da Educação, durante a era Lula-Dilma, de gigantes da pedagogia como Tarso Genro, Fernando Haddad ou até mesmo um Cid Gomes, o homem da motoniveladora. Enquanto não tiver outra ideia na cabeça – por exemplo: que tal ensinar nas escolas públicas, de verdade, a língua portuguesa, as operações essenciais da matemática e as noções básicas de ciência? – o governo Bolsonaro continuará nomeando para o seu ministério mais importante as figuras trágicas que vem tirando sabe Deus lá de onde.

Procura-se, há um ano e meio, o “gabinete do ódio” – de onde viriam, como se diz, todos os males atuais do Brasil. Daria mais certo encontrar e botar para fora do governo o gabinete das decisões cretinas.

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