Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

'O filho do presidente calado é um poeta', diz deputado do PSL

Diretório Nacional do PSL repudiou 'com veemência' declaração de Eduardo sobre AI-5

Camila Turtelli e Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2019 | 16h01

BRASÍLIA - As declarações do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sobre a possibilidade de instituir um "novo AI-5", se "a esquerda radicalizar" foram repudiadas por uma ala do próprio partido do presidente da República nesta quinta-fera, 31. O presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), que entrou em conflito com a ala bolsonarista da legenda, divulgou nota em que critica o que chamou de "tentativa de golpe ao povo brasileiro".

De acordo com o comunicado, o Diretório Nacional do PSL, "com veemência", "repudia integralmente qualquer manifestação antidemocrática que "considere a reedição de atos autoritários". "A simples lembrança de um período de restrição de liberdades é inaceitável", diz a nota.

Segundo o texto divulgado por Bivar, "o PSL é contra qualquer iniciativa que resulte em retirada de direitos e garantias constitucionais. Em nosso partido, a democracia não é negociável. Fica aqui nossa manifestação de repúdio a esta tentativa de golpe ao povo brasileiro".

"O filho do presidente calado é um poeta", disse o principal porta-voz de Bivar, Junior Bozzella (PSL-SP), em nota. "Repudiamos qualquer tentativa de golpe. O primeiro golpe foi tentar tomar o PSL, o segundo foi usar o Palácio do Planalto para tomar a liderança do partido e agora flerta com um novo AI-5 para instaurar uma ditadura no País", afirmou Bozzella. "É espantoso para não falar repugnante. Nós representamos a democracia e a valorização da liberdade de expressão do cidadão brasileiro qualquer que seja a sua ideologia", afirmou.

"Eu não entendo como um deputado federal pode sequer cogitar algo assim", completou.

Forte crítico da chamada "filhocracia" do governo do presidente Jair Bolsonaro, o senador Major Olimpio (PSL-SP) divulgou um vídeo. "Acho lamentável no dia de hoje discutir ato semelhante ao AI-5 de 1968", afirmou. "Como um parlamentar vai defender o fechamento do Congresso?", completou.

Para outro deputado do PSL, o Coronel Tadeu, também da ala bivarista, falar em ato institucional no atual momento "é algo inimaginável".

Bivar defendeu, em sua nota, a importância da imprensa livre. "Não podemos permitir que sejam abalados pilares democráticos caros, como a tolerância, a prática de aceitar o contraditório, as críticas e o trabalho importante da imprensa, que deve ser livre, sem amarras de qualquer tipo".

Leia a íntegra da nota da Executiva Nacional do PSL:

O Diretório Nacional do Partido Social Liberal, com veemência, repudia integralmente qualquer manifestação antidemocrática que, de alguma forma, considere a reedição de atos autoritários.

A simples lembrança de um período de restrição de liberdades é inaceitável.

O Brasil demorou anos para voltar a respirar democracia e a eleger diretamente seus representantes, a um custo altíssimo, tanto para o Estado quanto para as vítimas do regime transitório.

Não podemos permitir que sejam abalados pilares democráticos caros, como a tolerância, a prática de aceitar o contraditório, as críticas e o trabalho importante da imprensa, que deve ser livre, sem amarras de qualquer tipo.

O PSL é contra qualquer iniciativa que resulte em retirada de direitos e garantias constitucionais.

Em nosso partido, a democracia não é negociável.

Fica aqui nossa manifestação de repúdio a esta tentativa de golpe ao povo brasileiro.

Executiva Nacional do PSL

Luciano Bivar - Presidente

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