O falado jantar com FHC, segundo Antonio Ermírio

O jantar da sexta-feira da semana passada, que reuniu em São Paulo o presidente Fernando Henrique Cardoso e um grupo da elite do empresariado nacional, no apartamento de Olavo Setúbal, do grupo Itaú, rendeu interpretações as mais diversas. E declarações exaltadas, como a do presidenciável Ciro Gomes (do PPS), que classificou o encontro como uma conspiração da direita, visando a deter o atual favoritismo da esquerda para a sucessão presidencial de 2002. Um dos participantes do jantar, o empresário Antonio Ermírio de Moraes, entrevistado no ?Jornal das Dez?, da Globo News, revelou que as conversas mantidas na ocasião passaram longe da interpretação dada pelo ex-governador cearense. Para ele, a eventual vitória da oposição em 2002 não assusta o empresariado, já que considera normal, numa democracia, a alternância no poder. De qualquer forma, o dirigente do grupo Votorantim se disse surpreso com o "humor sensacional" manifestado por FHC na ocasião. Eis, literalmente, o que disse Antonio Ermírio em trechos de sua entrevista:Um encontro de 4 horas"A reunião começou às 9h15 da noite de terminou uma e meia da manhã. Foi uma reunião muito agradável, nós trocamos idéias gerais sobre o Brasil, como fazer para transformar o Brasil num país do Primeiro Mundo. Evidentemente, ninguém pode deixar de ter discutido o que vai acontecer em 2002, com as eleições. Mas ninguém teve a ousadia de ter colocado tal candidato. Nós discutimos de uma maneira geral."O humor do presidente"Foi uma reunião muito agradável e, para minha surpresa, encontrei o presidente Fernando Henrique com um humor sensacional, que é muito melhor o bom-humor do que bater na mesa. Isso é muito bom, foi uma reunião muito agradável. Nós apenas discutimos coisas gerais. O que vai ser do Brasil? O que nós precisamos fazer para chegar a ser um país do Primeiro Mundo? São coisas que interessam a todos nós. Nós achamos que o Brasil poderá ser do Primeiro Mundo.´´A esquerda e 2002"Acho que você não tem que ter receio (sobre a eventualidade da vitória da esquerda na sucessão presidencial de 2002). Acho a alternância de poder até saudável. Da minha parte, eu não tenho o menor receio. Se amanhã a oposição ganhar... Mas, de qualquer maneira, vai ter que haver diálogo. É preciso que eles também amadureçam e pensem que não se faz um país só através de discurso; se faz um país analisando profundamente os seus problemas básicos. Espero que eles saibam fazer isso."Candidaturas"Acho que, evidentemente, cada um de nós tem seu próprio candidato, tem sua preferência. Mas, se amanhã a oposição ganhar, eu acho que o Brasil vai continuar da mesma maneira. Ao contrário, nessa ocasião (eventualidade), nós temos que ter muito mais contato com o governo, procurando naturalmente dizer a ele o que nós achamos que seria correto. Não que nós sejamos os donos da verdade, mas diante desse sacrifício todo que nós vivemos nesses últimos cinqüenta anos, com toda alternância de poder, a mais variada possível e imaginária, já nos deu uma certa cancha para saber dizer onde está a resultante. "Sinceramente, eu não receio. Se a oposição vier amanhã a ganhar, eu acho que ´tudo bem´. A alternância no poder não é ruim."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.