O Estado de S. Paulo completa 129 anos de existência

Lançado em 4 de janeiro de 1875 com o nome de A Província de S. Paulo, um diário de quatro páginas e 2.025 exemplares, O Estado de S. Paulo completou ontem 129 anos de existência e 124 de vida independente - uma trajetória de idealismo, seriedade e luta que fez dele um dos mais importantes e mais respeitados jornais do mundo. São Paulo era uma cidade de 20 mil habitantes e 2.992 prédios, quando a primeira edição chegou às ruas sob a responsabilidade de um grupo de republicanos que pregavam o fim da monarquia. Em 1888, quando o nome de Julio Mesquita apareceu como diretor-gerente no cabeçalho da primeira página, o jornal comemorou a abolição da escravatura, pela qual vinha lutando desde a fundação. Foi a primeira de uma série de grandes causas que abraçou ao longo de sua história, sempre em defesa da liberdade e da democracia. Já com o nome de O Estado de S. Paulo, que adotou um mês e meio após a proclamação da República, o jornal logo se destacou pela qualidade do noticiário e pela clareza de pontos de vista. Sete anos depois, a tiragem do Estado saltou de 10 mil para mais de 18 mil exemplares com a publicação, em 8 de março de 1897, de notícias sobre a guerra de Canudos. Euclides da Cunha era a estrela da redação. "Um jagunço degolado não verte uma xícara de sangue", escreveu, do interior da Bahia, o repórter que mais tarde aprofundaria essa observação nas páginas de Os Sertões. Durante a I Grande Guerra, sobre a qual Julio Mesquita escreveu uma série de artigos - publicados no livro A Guerra, em 2002, pelo seu bisneto Ruy Mesquita Filho -, a empresa lançou uma edição vespertina que, conhecida como Estadinho, circularia de 1915 a 1919. Nessa época, Monteiro Lobato era um dos colaboradores do jornal.Com a morte de Julio Mesquita, em março de 1927, Nestor Pestana e Julio de Mesquita Filho assumiram os cargos de diretor. Cinco anos depois, começaria um dos períodos mais duros para o jornal. Seus proprietários, Júlio de Mesquita Filho e o irmão Francisco Mesquita, que lutaram contra Getúlio Vargas na Revolução Constitucionalista de 1932, foram presos e exilados durante o Estado Novo. O jornal foi ocupado por soldados da Força Pública em 25 de março de 1940 e ficou sob intervenção da ditadura até 1945. Só foi devolvido à família Mesquita em dezembro, após a queda de Getúlio. O período de intervenção não conta na história do Estado, que por isso fala em 129 anos de existência e em 124 de vida independente. Rádio Eldorado e JTO dia 4 de janeiro marca também o aniversário da Rádio Eldorado, fundada em 1958, e do Jornal da Tarde, lançado durante o regime militar, há 38 anos. Após a morte de Julio de Mesquita Filho, em 1969, Julio de Mesquita Neto assumiu a direção do Estado, enquanto seu irmão Ruy Mesquita dirigia a redação do Jornal da Tarde. Sob a vigência do Ato Institucional n.º 5, baixado em 13 de dezembro de 1968, a imprensa passou a ser censurada pelo governo, mas os dois jornais não se curvaram à ditadura. Como não podiam deixar espaços em branco, por ordem dos censores, o Estado substituiu os textos cortados por versos de Os Lusíadas, de Luís de Camões, enquanto o Jornal da Tarde publicava receitas de doces. Respeitado internacionalmente pela sua coragem de lutar contra a arbitrariedade em defesa da democracia e da liberdade, o jornal mereceu também o reconhecimento dos leitores. Em novembro último, o Estado foi considerado o veículo de comunicação mais admirado do País, numa pesquisa feita por Meio & Mensagem Online. Na pesquisa, 380 entrevistados apontaram credibilidade, conteúdo, ética e independência como os atributos mais importantes de um jornal. Em 2000 as notícias foram também para a Internet, com o surgimento do Portal Estadao.com.br.

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