O enorme impacto político da prisão do líder do governo

Serão enormes os impactos políticos da prisão do senador petista Delcídio Amaral (MS). A prisão foi ordenada pelo ministro Teori Zavascki, por considerar que Delcídio estava atrapalhando as investigações da Operação Lava Jato. Zavascki é um ministro que prima por decisões técnicas. Foi levado ao Supremo pela presidente Dilma Rousseff.

João Domingos, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2015 | 09h44

Vamos ao alcance político da medida. 

Delcídio não é um senador qualquer. É o líder do governo da presidente Dilma Rousseff. Ou seja, é o porta-voz da presidente da República no Senado.

Delcídio é considerado um dos mais hábeis negociadores do Senado. Tem conseguido destravar a complicada pauta de votações de interesse do governo nos últimos meses. A prisão dele causa um grande estrago nas fileiras da base aliada do Palácio do Planalto, num momento em que o governo age como uma barata tonta.

É a primeira vez na História que um senador é preso no exercício do mandato. Outros que se envolveram em rolos no passado foram processados, mas não tiveram a liberdade restringida.

Para tomar a decisão de mandar prender o senador, o ministro Teori Zavascki teve de estudar muito o artigo 53 da Constituição. Lá diz que um congressista só pode ser preso em flagrante. É a chamada imunidade prisional. 

Comenta-se entre os procuradores da República que há gravações segundo as quais Delcídio estaria participando de articulações para ajudar o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró a fugir tão logo recebesse um habeas corpus. Cerveró é um dos presos da Lava Jato. 

A área de atuação de Delcídio Amaral sempre foi a de energia. Teve influência na nomeação de antigos diretores da Petrobras, assim como na demissão de outros. 

Delcídio é muito amigo do ex-presidente Lula. É do Mato Grosso do Sul, Estado onde o empresário e fazendeiro José Carlos Bumlai tem parte de seus empreendimentos. Bumlai foi preso na segunda-feira, 24.

A prisão de Delcídio Amaral é um golpe a mais nas pretensões de Lula de se candidatar a presidente em 2018.

*João Domingos é coordenador do serviço Análise Política, do Broadcast Político

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