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O efeito colateral em 2016

Se, de um lado, tem potencial para devolver ao País a estabilidade econômica, de outro, o programa de recuperação fiscal anunciado pela nova equipe econômica se constitui em fator de agravamento da perda de densidade eleitoral do PT nas eleições municipais de 2016.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2014 | 02h03

Sua extensão por três anos submete o partido à receita impopular para correção de rumos, consequência da gestão populista amparada na fartura de crédito e consumo, e na ilimitada farra de gastos públicos, revogada pela realidade econômica que impôs à presidente Dilma Rousseff uma guinada ortodoxa, à revelia de suas convicções.

Por instinto de sobrevivência, a presidente busca salvar seu segundo mandato, atenta à sua biografia e à meta de viabilizar o retorno de Lula em 2018. Ambos, Dilma e Lula, aos tapas e beijos, como na canção sertaneja, cuidam de administrar a reação da militância ao que o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), chama de "apenas uma etapa".

Costa, afinado com o ainda secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, age na linha preventiva de amenizar o efeito da desilusão do eleitorado petista já registrada na recente eleição de outubro, em todos os níveis. É quase inútil, mas é o que resta ao partido.

A economia respira por aparelhos e a gestão anunciada de Joaquim Levy e Nelson Barbosa representam seu ingresso na UTI, desmoralizando o discurso de campanha da presidente Dilma Rousseff, mas também indicando a pouca serventia da pergunta mais frequente nas rodas políticas e econômicas - se é para valer a renúncia da presidente ao seu modelo econômico.

A realidade pode revogar convicções ou, em escala menor, simplesmente arquivá-las compulsoriamente, à falta de outra saída.

Dilma se insere em uma dessas duas circunstâncias, mas decifrar qual delas a move torna-se secundário diante da inevitabilidade do receituário e do longo prazo de sua aplicação.

Alinhado ao drama político produzido pelas investigações na Petrobrás, o cenário para o governo representa o fim do projeto de poder do PT, que o levou ao delírio de instalar na estrutura do Estado um sistema de corrupção política de dimensões jamais vistas, capaz de banalizar a prática histórica no País.

À oposição, em um primeiro momento, a nova equipe econômica impõe a dificuldade de contestar escolhas que representam seu público e seu discurso.

Será preciso descolar-se da indignação com a aplicação pelo governo da receita que denunciava como crime contra a população, para adotar comportamento estratégico na missão fiscalizadora que lhe foi delegada pela quase metade do eleitorado de 2014.

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