''O dia vai ter mais de 24 horas agora'', diz Gabrielli

Presidente da Petrobrás diz temer prejuízos e promete dedicação para esclarecer os requerimentos da CPI

Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

02 de junho de 2009 | 00h00

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, alertou ontem que a CPI da Petrobrás, que será instalada hoje no Senado, pode paralisar a companhia. "Não gostaríamos que a CPI se transformasse em algo de investigação para descobrir o que investigar", disse em entrevista na Unidade de Negócios da Industrialização do Xisto, em São Mateus do Sul, no sul do Paraná, a cerca de 150 quilômetros de Curitiba. "Não porque investigar seja ruim, mas o problema é que isso poderá vir a paralisar a companhia." Segundo ele, cada assunto a ser discutido acabará mobilizando funcionários para responder ou fazer levantamentos de informações. Para isso, Gabrielli pretende alterar sua rotina de trabalho, com a permanência de dois dias por semana em Brasília dedicados somente à CPI. "O dia vai ter mais de 24 horas agora", acentuou. A iniciativa de falar da a CPI, durante entrevista sobre os 55 anos do início da exploração de xisto no País, foi do próprio Gabrielli, quando explanava sobre os investimentos no setor. "Esperamos que as iniciativas, particularmente do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), não venham a atrapalhar os investimentos, particularmente no Estado do Paraná", afirmou. No mesmo tom, o diretor de Abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa, acenou para a possibilidade de cortes na Petrobrás. "Se parar investimentos vão parar contratos. Se parar contratos vão ter demissões", disse. Segundo Costa, o País sofrerá as consequências. "Alguém depois vai ter que explicar esses prejuízos", acrescentou.REPERCUSSÃOGabrielli, que retornou domingo de viagem ao exterior, disse que ainda não há repercussão internacional sobre a Petrobrás em função da CPI. "A permanente presença da Petrobrás não mais nas páginas econômicas, mas nas páginas políticas e de denúncias dos jornais, evidentemente vai impactar sobre sua reputação", lamentou. Segundo ele, a estatal é considerada uma das mais transparentes do mundo e com "sólida reputação". E voltou a utilizar uma metáfora de boxe em sua análise. "Bater no fígado não dá nocaute, mas vai enfraquecendo", disse. Para Gabrielli, o objetivo da oposição é apenas "criar clima e não de fato aprofundar e melhorar a governança da companhia". O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que acompanhava Gabrielli, disse que "aparentemente" a oposição tem a CPI como única estratégia de atacar o governo. "Passaram o ano passado todo torcendo para que a crise fizesse arrefecer o ritmo de crescimento, causasse problema social no País porque isso provavelmente diminuiria a popularidade do governo", afirmou. "É uma irresponsabilidade grande, uma forma de tentar criar problema, procurar problemas para ver se criam constrangimento."

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