ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO
ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

O dia em que o mundo caiu em Brasília

Presidente Dilma foi obrigada a ter 'demonstração de força'

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2016 | 06h54

BRASÍLIA - A reação da presidente Dilma Rousseff diante da operação montada pela Polícia Federal para ouvir o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi decidida na hora do almoço e tomou forma quando ministros do PT se reuniram na sede do partido, em Brasília.

Foi ali, longe dos holofotes, que todos destacaram a urgência de uma demonstração de força do Palácio do Planalto contra o que chamaram de “arbitrariedade” cometida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público contra Lula.

“Eu penso que foi um exagero essa condução coercitiva”, disse o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, antes de se dirigir para o encontro.

A portas fechadas, auxiliares de Dilma mostraram muita preocupação com o agravamento da crise e o distanciamento entre o PT e o Planalto. Dali, alguns telefonaram para o próprio Lula, que a esta altura já estava na sede do PT, em São Paulo.

Dilma, que antes das 7 horas andou de bicicleta nas imediações do Palácio da Alvorada, também ligou à tarde para o padrinho político, manifestando solidariedade. Quem estava ao lado do ex-presidente disse que ele ficou com a voz embargada.

Pela manhã, quando Lula foi levado para depor, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, recebeu de pesos-pesados do PT o aviso de que, se não houvesse forte reação do governo, os movimentos sociais iriam para a rua em defesa de Lula, mas contra Dilma. Com a ajuda do ministro da Advocacia Geral da União, José Eduardo Cardozo, Dilma redigiu uma nota manifestando “integral inconformismo” com a condução coercitiva de Lula e, uma hora depois, fez um pronunciamento.

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