O Brasil não saiu do lugar nos últimos 20 anos, diz Alckmin

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), fez hoje uma crítica indireta ao governo do seu companheiro de partido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que comandou o País nos últimos 8 anos. Ao defender a necessidade de redução das taxas de juros, o governador lembrou que, entre os anos 30 e 80, o Brasil cresceu a taxas superiores a 5%. "Durante meio século, o Brasil cresceu nesses patamares. Nas últimas décadas não saiu do lugar e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) hoje é até negativo", reclamou nesta segunda-feira o governador, ao sair de um almoço privado com empresários do Conselho de Empresários da América Latina (Ceal). O governador avaliou que o grande desafio do governo Lula é o crescimento econômico e daí o esforço que precisa ser feito para reduzir as taxas de juros, aumentar as exportações, estimular a pequena empresa e ampliar a política de crédito. O tucano se somou ao presidente em exercício, José Alencar, e às vozes que defendem a imediata redução das taxas de juros para alavancar o crescimento econômico do País. "Quando você tem a moeda em risco, com ataques especulativos, ou risco iminente de inflação, então é necessário coragem para aumentar as taxas de juros. Agora, da mesma forma, (o governo) também não pode perder oportunidades, como aquela da inflação declinante e a pouca pressão de demanda, para reduzi-las", disse. "Se você deixar a atividade econômica enfraquecer muito, perder muita força, a política monetária sozinha não resolve", disse o governador. De acordo com ele, nessas condições, nem mesmo uma redução da taxa de juros poderá fazer recuperar a atividade econômica. "Por isso, acho importante e legítima a preocupação do presidente Lula; é o que toda a sociedade quer", afirmou Alckmin, depois de ser informado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia declarado hoje na França que a queda da taxa de juros precisa ser feita, mas sem bravatas. Alckmin atribui também a queda da arrecadação do Imposto sobre Arrecadação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em São Paulo às altas taxa de juros. "O ICMS é o imposto sobre circulação de mercadorias. Se a atividade econômica cresce, esse imposto também cresce, mas se ela (a atividade) se retrai, o imposto também cai", afirmou ele, ao comentar a queda de R$ 68 milhões do ICMS em maio em São Paulo. "O que mais preocupa não é só a questão orçamentária, porque podemos apertar. O problema é o desemprego, o salário que as pessoas perdem".

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