Joveci de Freiras/Estadão
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O bombeiro do 'caos político': Michel Temer explicado em 7 pontos

Ex-presidente da Câmara e reconhecido constitucionalista, vice de Dilma assume articulação do governo Dilma em meio à maior crise enfrentada pelo PT desde a chegada ao Planalto

O Estado de S. Paulo

09 Abril 2015 | 11h04

1. Currículo 

O advogado doutor pela PUC-SP, de 74 anos, começou sua vida pública como oficial de gabinete no governo Ademar de Barros (1963-1966), primeiro político associado ao slogan "rouba, mas faz". Filiou-se ao PMDB em 1981. Dois anos depois foi nomeado procurador-geral do Estado de São Paulo pelo então governador Franco Montoro, que o convidou também para ser seu secretário de Estado de Segurança Pública em 1984. Voltou a ser titular da pasta, em 1992, na gestão do governador Luiz Antônio Fleury Filho, meses após a crise em consequência da chacina dos 111 presos da Carandiru. Foi eleito deputado federal por seis mandatos, com atuação de destaque como deputado constituinte. Presidiu a Câmara dos Deputados três vezes (1997, 1999 e 2009), atuando como aliado tanto do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) como no do petista Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Foi candidato a vice-prefeito de São Paulo na chapa de Luiza Erundina (PSB), em 2004.


2. Família 

Casado com Marcela Tedeschi Araújo Temer, de 31 anos, é pai de cinco filhos, dos quais o caçula com a atual mulher. A primogênita, Luciana Temer (PMDB), é secretária de Assistência Social do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). É o mais novo de oito filhos de uma família de imigrantes do norte do Líbano que chegou a São Paulo nos anos 1920. É considerado um constitucionalista de destaque no meio jurídico e acadêmico, sendo autor de, pelo menos, duas importantes obras de direito constitucional, Constituição e Política, Territórios Federais nas Constituições Brasileiras, Seus Direitos na Constituinte e Elementos do Direito Constitucional.


3. Destaques


Em sua vida pública, destaca-se seu empenho para a criação da primeira Delegacia da Mulher do País, em 1985, como secretário de Segurança. No governo Lula, como presidente da Câmara, deu nova interpretação a um dispositivo constitucional que passou a evitar o trancamento da pauta da Casa por medidas provisórias sem apreciação do plenário. Com isso, os deputados poderiam votar outros projetos em sessões extraordinárias mesmo antes da análise de MPs vencidas.




4. Citação

Foi citado em dois escândalos recentes, mas nem sequer chegou a ser denunciado. Na Operação Castelo de Areia, na qual a Polícia Federal investigou um esquema envolvendo o Grupo Camargo Corrêa em 2009, Temer teve seu nome citado em lista de supostas doações da construtora a políticos. No caso do mensalão do DEM, no Distrito Federal , em 2012, foi acusado de ter recebido dinheiro para afastar o então governador Joaquim Roriz do partido. 



5. Apelido 

Um de seus inimigos políticos temporários foi o ex-presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães (PFL). Em 1999, os dois travaram um embate num período em que o ex-governador da Bahia engrossava um movimento para minar as forças políticas do PMDB no governo FHC. Os dois trocaram agressões verbais por causa da reforma do Judiciário. "Não me impressiona sua pose de mordomo de filme de terror", disse ACM em resposta à uma nota de Temer, que, na época, se queixou da intromissão do então senador na questão da reforma em discussão na Câmara.


6. Reforma política 

Temer é o principal defensor do "distritão", sistema pelo qual são eleitos para a Câmara os candidatos a deputado federal mais votados, independentemente do desempenho de seus respectivos partidos - como ocorre na disputa para o Senado e para cargos no Executivo. Hoje, o atual modelo é o proporcional em lista aberta, pelo qual os partidos conquistam vagas no Legislativo, posteriormente distribuídas aos respectivos candidatos mais votados pela legenda. Nos Legislativos estaduais e nas Câmaras de municípios com mais de 200 mil eleitores, o vice-presidente propõe a adoção de um modelo misto, pelo qual metade dos parlamentares seria eleita pelo voto majoritário e a outra metade por distritos (subdivisões regionais em um Estado ou município).


7. Auge 

O vice-presidente é considerado um peemedebista moderado com maior capacidade de articulação política, o que acabou lhe rendendo o convite para ser o articulador político do governo. Semanas antes de acumular as posições de vice e de ministro, Temer passou um período isolado do núcleo duro do governo e alijado de reuniões com a presidente. Sua insatisfação fez com que Dilma o escalasse para apagar incêndios entre o governo e a base aliada peemedebista. 

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