'O Banco Central não é a Santa Sé', afirma Serra

Tucano defendeu mudanças na política econômica, mas disse que não haverá 'virada de mesa'

Bruno Siffredi, estadão.com.br

10 Maio 2010 | 10h07

SÃO PAULO - O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira, 10, que, caso seja eleito, pretende mudar a política de juros do Banco Central (BC), apesar de ressaltar que não haverá "nenhuma virada de mesa" na economia. Em entrevista para a rádio CBN, o tucano disse que o BC "não é a Santa Sé" e que existe um grupo ligado à instituição que se considera "acima do bem e do mal, que é o dono da verdade".

 

Serra fez as declarações ao responder a uma pergunta sobre o respeito à autonomia do BC. A jornalista Miriam Leitão disse, ao fazer a pergunta, que "a sensação que se tem" é que se eleito, Serra seria também o presidente do BC, devido à declarações anteriores do pré-candidato sobre o tema.

 

"É brincadeira (achar que se eleito vou ser o presidente do banco central)", disparou o tucano. "Quem faz humor assim é falta de assunto. Ninguém em sã consciência pode defender que, quando há condições para abaixar a taxa de juros e não abaixa, ele está certo", acrescentou.

 

Serra lembrou que, durante a crise, o Brasil foi "o último país do mundo" a abaixar os juros em um cenário de deflação. "Simplesmente foi um erro."

 

"O Banco Central não é a Santa Sé. Você acha sinceramente que o Banco Central nunca erra? Agora quem acha que o BC erra é contra dar autonomia de trabalho ao BC? De repente monta-se um grupo que é acima do bem e do mal, que é o dono da verdade e que qualquer criticazinha já vem algum jornalista e ficam nervosinhos por causa disso. Não é assim. Eu conheço economia, sou responsável, fundamento todas as coisas que penso a esse respeito."

 

Serra concluiu afirmando que "o pessoal do sistema financeiro pode ficar tranquilo que não vai haver nenhuma virada de mesa" na economia.

 

Reajuste

 

O presidenciável comentou também o reajuste para os aposentados, que foi aprovado no Legislativo. Serra admitiu que o sistema previdenciário "no seu conjunto tem déficit", mas disse que "não há dúvida de que os aposentados estão em uma situação de atraso no Brasil".

 

"Mantega é um homem sério, o presidente lula é muito sensível. Eu vou respeitar a decisão deles." Para Serra, o problema é que "nesses oito anos não foi feita uma 'coisa' mais ampla e geral que elimine privilégios".

 

Greves

 

Serra disse que pretende lidar "com firmeza" com reivindicações sindicais que considerar "partidárias". O ex-governador citou como exemplo a greve dos professores de São Paulo organizada pela Apeoesp. Para o tucano, a receita nesses casos é usar "paciência, seriedade e firmeza".

 

Sucessão

 

O pré-candidato do PSDB comentou a entrevista do Lula, ressaltando a previsão do presidente de que, independentemente de quem vencer as eleições "nada calamitoso" vai acontecer com o País. Para Serra, "Lula não deve estar tão preocupado com a possibilidade de outro candidato" ganhar as eleições.

 

Serra disse defender "um projeto de desenvolvimento nacional" e que se considera "de esquerda". "Defendo um governo forte, mas não obeso."

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