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‘O ambiente é de absoluta tensão e de perseguição’, diz deputada

Vista como contraponto de Eduardo Cunha na Câmara, a parlamentar qualifica a atual situação como ‘insuportável’

Entrevista com

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2015 | 21h47

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) foi uma das responsáveis por articular na quinta-feira a saída do plenário de cerca de 150 deputados insatisfeitos com as manobras de aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para atrasar a tramitação de seu processo de cassação. Ela acusa o peemedebista de perseguir seus oposicionistas.

Vista por seus pares como um contraponto a Cunha na Casa, a deputada, que foi prefeita de São Paulo entre 1989 e 1993, mora há 35 anos em um pequeno apartamento no bairro Praça da Árvore, para onde se mudou quando era assistente social na capital. “A situação (na Câmara) está ficando insuportável”, afirma ela.

Como está o ambiente na Câmara dos Deputados?

A situação está ficando insuportável. O ambiente na Câmara é de absoluta tensão e de perseguição. Vários parlamentares, como o Chico Alencar, Jean Wyllys e Jandira Feghali, foram representados no Conselho de Ética por deputados aliados de Cunha. A gota d’água foi a manobra no Conselho de Ética. O colegiado estava reunido para fazer a leitura do relatório do Cunha, e ele fez uma manobra para não isso não acontecer. Houve uma revolta generalizada. As pessoas não suportam mais a forma como a Casa está funcionando.

Quantos deputados saíram do plenário?

Cerca de 150. Antes disso, falamos com o presidente do Conselho de Ética e outros membros e insistimos que eles retomassem os trabalhos, apesar de Cunha ter iniciado a ordem do dia no plenário. Garantimos que daríamos respaldo a eles. Por pressão desse grupo, o presidente do Conselho resolveu voltar e reabriu os trabalhos, mas de forma informal. Não instalou a pauta. Ele alegou que não queria passar por cima do regimento. O relator, Fausto Pinato (PRB-SP), então, confirmou que ele e sua família estava sendo perseguidos e ameaçados. Ele estava muito assustado.

Como está sendo o comportamento da base do governo nesse processo?

O líder do PT e o líder do governo estão favoráveis ao Cunha. Não querem o confronto. Eles não querem que se encaminhe o afastamento. Há um clima muito constrangedor e isso está comprometendo o funcionamento da Casa.

Como o Cunha ainda consegue manter uma tropa mobilizada?

Ele construiu maioria nas principais comissões. Os deputados com projetos conservadores e homofóbicos estão aprovando seus projetos enquanto o Cunha está lá. O presidente da Câmara está usando suas prerrogativas para atrasar o Conselho de Ética.

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