Nunes considera declarações de ACM um "delírio absoluto"

As declarações do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), insinuando que o governo estaria por trás do escândalo da violação do painel eletrônico do Senado, foram consideradas "um delírio absoluto" pelo secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB). "Isso é uma análise de natureza psicológica do senador Antonio Carlos Magalhães", reagiu o secretário-geral, referindo-se à acusação, feita por ACM, de que o presidente Fernando Henrique Cardoso quer se fortalecer, fragilizando o Congresso. A avaliação de assessores próximos ao presidente é de que os ataques de ACM contra o Palácio do Planalto devem aumentar porque o senador está acuado e não tem mais nada a perder. "Ele pode até cair, mas não vai querer cair sozinho", disse hoje um integrante da delegação brasileira que está no Canadá. "Entendo que o senador Antonio Carlos esteja passando por um momento delicado, mas não é verdade o que ele está dizendo", disse o líder interino do governo no Senado, Romero Jucá (PSDB-RR), argumentando que o presidente já declarou que a violação do painel é um problema do Senado e tem de ser resolvido pelos próprios senadores. "O presidente não vai interferir nesse processo", assegurou Jucá. "Se o Senado sujou é o Senado que tem de limpar", completou o secretário Aloysio Nunes. Apontado como um dos possíveis substitutos do senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) na liderança do governo, o senador Geraldo Melo (PSDB-RN) observou que, caso houvesse algum interesse do governo nesse caso, os senadores tucanos teriam recebido algum sinal do Palácio do Planalto. "O que estou sentindo é a falta de sinal; até agora não recebi uma palavra sequer de alguém do governo sugerindo que se faça ou deixe de fazer isso ou aquilo", sustentou Melo. Para o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, o Senado não pode ficar inerte diante do escândalo da violação de seu painel eletrônico. O Senado, ressaltou o ministro, tem obrigação de manifestar-se no menor prazo possível. "Não se trata de fazer acordo político, mas de uma apuração rigorosa em que os culpados sejam punidos", disse, referindo-se aos rumores de que o PSDB e o PFL estariam ensaiando um acordo para arquivar o caso e não iniciar um processo de cassação dos senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda. Dirigentes do PFL não viram as declarações de ACM como uma acusação ao presidente, mas sim uma alusão a alguém ligado ao governo, que pudesse ter interesse na violação do painel. Eles consideram que o senador só repetiu o que vem falando há algum tempo e esperam ajudá-lo a encontrar uma saída. O assunto deve ser discutido segunda-feira na reunião da cúpula do PFL que será realizada em São Luiz, MA, e contará com a presença de ACM. O vice-presidente do partido, senador José Agripino (RN) tem repetido com freqüência que o PFL "não assistirá impassível" a qualquer decisão contra o senador Antonio Carlos. "O PFL não tem interesse em deixar ACM e seu mandato sem a devida proteção", confirmou hoje o secretário-executivo do partido, Saulo Queiroz. "A Executiva do PFL decidiu confiar na versão do senador Antonio Carlos e vai aguardar as explicações dele no Conselho de Ética", disse o líder do partido no Senado, Hugo Napoleão (PI), que está em Quebec. Em entrevista concedida na quarta-feira e exibida hoje pelo "Jonal Hoje", da Rede Globo, o presidente Fernando Henrique disse que não está pessoalmente rompido com o senador baiano e deu a entender que um eventual gesto de reaproximação política tem de partir de ACM. "O senador Antonio Carlos Magalhães foi um aliado bom, ele realmente ajudou em função de reformas importantes do Brasil. Pessoalmente, eu não rompi com ele nem com ninguém, politicamente não sou eu que tem de tomar as medidas necessárias." Em relação à CPI da Corrupção, o presidente disse na entrevista que o governo não tem nada a esconder, mas que o Congresso está "desvirtuando" suas funções. "Porque isso não é uma CPI, é uma agitação política", afirmou o presidente. Ele disse ainda que todos os casos denunciados pelo senador Antonio Carlos já estavam "na polícia" quando ele fez as denúncias. "Ele pegou o relatório do governo, aí vai para tribuna e denuncia. E dá impressão de que o governo não está tomando providências."

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