'Nunca procurei a prescrição', diz ex-governador tucano

Na madrugada desta quarta-feira, 23, 5.ª Câmara do Tribunal de Justiça confirmou a condenação na primeira instância do ex-presidente nacional do PSDB Eduardo Azeredo pelo esquema conhecido como mensalão mineiro

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2017 | 05h00

O ex-governador de Minas e ex-presidente nacional do PSDB Eduardo Azeredo disse ao Estado que não age para a prescrição dos crimes de lavagem de dinheiro e peculato, pelos quais foi condenado. A 5.ª Câmara do Tribunal de Justiça confirmou na madrugada desta quarta-feiral, 23, a condenação na primeira instância pelo esquema conhecido como mensalão mineiro. A pena foi reduzida em nove meses – para 20 anos e um mês de prisão. Ocorrências por peculato e lavagem de dinheiro prescrevem quando se atingem 16 anos entre o crime e o recebimento da denúncia (acusação formal). O tucano, que vai recorrer em liberdade, completará 70 anos em 9 de setembro de 2018. Com esta idade, o Código Penal estabelece que o prazo de prescrição cai pela metade. 

Como o sr. recebeu a decisão do TJ-MG? 

Foi uma decepção muito grande. O relator (desembargador Alexandre Victor de Carvalho, que votou pela absolvição) realmente entendeu, leu o material, você verifica que ele leu. Agora, esse é que é um problema da Justiça hoje: assessores é que preparam muitas coisas. Então é uma coisa difícil, né? Vamos aguardar mais um pouco.

O fato de completar 70 anos vai lhe ajudar nesse processo?

Eu nunca trabalhei com essa hipótese. Se eu tivesse feito isso eu tinha atrasado em algum momento. Eu nunca atrasei nada. Eu nunca procurei a prescrição. A minha saída de Brasília foi indignação com o senhor Rodrigo Janot (procurador-geral da República), que hoje as pessoas estão vendo quem é. Por isso que eu renunciei ao mandato. Eu abri mão do tal famoso foro privilegiado. É engraçado, as pessoas criticam o foro privilegiado e na hora que alguém abre mão do foro privilegiado dizem que é para poder ganhar tempo, né? Naquela época o motivo real foi esse mesmo, foi a minha indignação com a posição do Rodrigo Janot, que na ausência de provas usou documento falso para me atacar.

Teme ser preso com base na decisão do Supremo Tribunal Federal em relação à 2ª instância?

Eu ainda posso recorrer dentro da própria Justiça mineira. E esse parecer do relator é muito forte. É um parecer que não pode ser desprezado. 

Como o sr. vê o momento turbulento pelo qual passa o PSDB?

Tenho me dedicado à minha defesa desde que saí de Brasília. Ao mesmo tempo estou trabalhando na Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais). Então, eu não tenho acompanhado muito essa discussão, não. Mas realmente o sistema partidário está numa profunda crise. Todo mundo reconhece que existem partidos demais, partidos de aluguel (...) Eu não tenho dúvida de que a origem está aí, as campanhas ficam mais caras. 

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