Nunca faria campanha para censurar, diz Fernando Sarney

Decisão que proíbe 'Estado' de publicar matérias sobre operação apenas garante direitos constitucionais, afirma

03 de agosto de 2009 | 20h26

Em nota enviada à imprensa nesta segunda-feira, 3, Fernando Sarney disse que nunca fez uma campanha para censurar meios de comunicação. A ação judicial movida pelo filho do presidente do Senado, José Sarney, no entanto, proíbe o jornal O Estado de S.Paulo e o portal estadao.com.br de publicarem reportagens que contenham informações da Operação Faktor, mais conhecida como Boi Barrica.

 

Veja também:

linkVirgílio abrirá ação no CNJ contra juiz que censurou 'Estado'

linkJustiça censura 'Estado' e proíbe informações sobre Sarney

linkJuiz que determinou censura é próximo de Sarney e Agaciel

linkEntidades da área de imprensa denunciam 'censura prévia'

especialNas páginas do Estadão, a luta contra a censura

linkCensura não intimidou em 68 e jornal foi apreendido

 

A proibição foi consolidada pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), na última sexta-feira, a pedido de Fernando Sarney. Vieira determinou que o descumprimento da aplicação acarretará em uma de multa de R$ 150 mil - por "cada ato de violação do presente comando judicial", isto é, para cada reportagem publicada.

 

Fernando alega que a decisão "simplesmente exige o respeito a garantias constitucionais inerentes a todo cidadão - intimidade, privacidade, honra e imagem". Sarney disse, também em nota, que decisão foi tomada pelo filho e que ele não chegou a ser consultado, porém, ele afirma que Fernando "tem sido vítima de cruel e violenta campanha infamante por parte de O Estado de S.Paulo". "Não discuto a demanda, mas não posso condená-lo por exercer seu direito de cidadão", diz o presidente do Senado em outro trecho.

 

Leia na íntegra a nota enviada por Fernando Sarney:

"Como empresário da área de Comunicação, com atuação permanente no setor há quase 30 anos, sempre defendi a liberdade de imprensa e a livre manifestação de opinião, e jamais promoveria ou apoiaria qualquer iniciativa que pudesse ser interpretada como censura.

 

É lamentável, portanto, que uma decisão judicial que simplesmente exige o respeito a garantias constitucionais inerentes a todo cidadão - intimidade, privacidade, honra e imagem - esteja sendo apresentada como forma de censura à imprensa, que vem divulgando, ilicitamente, informações sob sigilo expressamente imposto pelo Judiciário.

 

Ao recorrer à Justiça contra o que considero uma injustiça e uma violência contra mim e a minha família, apenas defendi direitos que me são assegurados pela Constituição.

 

Considerar o uso de um direito legítimo como uma maneira de impor censura à imprensa não passa de tentativa de distorcer os fatos.

 

Atenciosamente,

Fernando Sarney"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.