Número dois do Ministério do Turismo deixa a prisão em Macapá

Grupo é suspeito de fraudar as licitações e desviar dinheiro de projetos do ministério

Leandro Colon e Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo,

12 de agosto de 2011 | 20h00

MACAPÁ e BRASÍLIA - O secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, deixou a prisão em Macapá, capital do Amapá, às 23h55 desta sexta-feira, 12. Ele estava preso desde terça-feira, 9, na penitenciária em decorrência da Operação Voucher, da Polícia Federal. Frederico saiu da cadeia sem dar entrevista. Para ser solto, teve que pagar uma fiança de R$ 109 mil. Antes dele, também deixou a prisão o secretário nacional de Programas e Desenvolvimento do Turismo, Colbert Martins Filho.

 

 

Em entrevista ao Estado minutos após deixar a prisão, Colbert afirmou que vai provar sua inocência em relação às acusações de envolvimento no esquema de corrupção na Pasta. "Tenho absoluta certeza da minha lisura. Preciso provar minha inocência para minha família e ao país", disse. Colbert lamentou o vazamento da foto de dentro da penitenciária do Amapá, em que ele aprece sem camisa, segurando a placa de identificação de preso. "Lamento esta situação. O importante é que haja preservação de todos os cidadãos".

 

 

Ex-deputado federal pelo PMDB da Bahia, Colbert é um dos 36 presos na operação Voucher, que desmantelou um esquema de desvio de recursos do Ministério do Turismo. Entre os presos estavam o secretário-executivo da Pasta, Frederico Silva da Costa e o petista Mário Moysés, ex-presidente da Embratur, ligado à senadora Marta Suplicy (PT-SP). Na noite desta sexta-feira, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília, mandou soltar, além de Frederico e Colbert, o diretor do Ibrasi, Jorge Fukuda, o sócio da empresa Barbalho Reis Comunicação, Dalmo Tavares de Queiroz, e a servidora do Ministério do Turismo, Gláucia de Fátima Matos.

 

A Justiça já havia libertado 18 pessoas que tiveram prisão temporária. Os demais, com prisão preventiva, de duração mais longa para facilitar a instrução do inquérito, foram levados para uma carceragem do Sistema Penitenciário de Macapá, distrito de culpa onde corre o inquérito. Lá os suspeitos foram fotografados e tiveram suas imagens divulgadas na imprensa como bandidos comuns, sem camisa e segurando uma cartolina com identificação. Agora restam 14 presos.

 

Conforme as investigações, o grupo é suspeito de fraudar as licitações, desviar dinheiro de projetos da Pasta e fazer articulações políticas para favorecer senadores e deputados. Em uma das gravações interceptadas com autorização da Justiça, Colbert dá ordens para agilizar o andamento de um projeto que seria do interesse do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

 

A defesa de Colbert alegou inconsistência das provas e pediu a libertação do acusado. O alvará de soltura, expedido pelo juiz federal Guilherme Mendonça, está sendo remetido a Macapá para a imediatamente soltura do ex-deputado. A decisão foi em caráter liminar e o mérito do habeas-corpus ainda será analisado. No despacho, o magistrado anota que a prisão do acusado não é mais necessária, uma vez que já foi concluída a ordem de busca e apreensão.

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