Número de mães menores de 20 anos aumenta, mostra o IBGE

A proporção de nascimentos de crianças geradas por mães menores de 20 anos está crescendo no País, segundo aponta pesquisa divulgada hoje pelo IBGE e que revela números colhidos em 2002. Em 1991, 16,4% dos nascimentos registrados no Brasil eram de mães menores de 20 anos. Em 2002, chegou a 20,75%. O Estado com maior proporção de nascimentos de mães adolescentes é o Tocantins (27,8%) e a região com menor proporção é o Distrito Federal (17,5%). O IBGE alerta no documento de divulgação da pesquisa que a gravidez na adolescência é um "motivo de preocupação" porque "sabe-se que a gravidez em idade muito jovem eleva os riscos de mortalidade para os filhos". Outra observação é que "o fenômeno está concentrado entre as adolescentes das classes menos favorecidas economicamente". Sub-registroO sub-registro de nascimentos ainda é uma realidade no Brasil, segundo o IBGE. Em 2002, período a que se refere a pesquisa, a estimativa de nascimentos era de 3,5 milhões. Desse total, foram registrados 2,5 milhões. A pesquisa mostra também que os registros tardios (acima de 90 dias após a data do nascimento) cresceram para uma proporção de 24,8% dos nascimentos registrados em 1991, para 29,9% em 2002. No Norte, no ano passado, o porcentual era de 60,7% dos registros tardios, enquanto no Sudeste era de 9%. O Estado com maior porcentual de registros tardios no ano passado era o Maranhão (71,1%) e o menor era São Paulo (5,3%). Muitos dos registros tardios, segundo o IBGE, ocorrem antes da criança entrar na escola, sete anos após o nascimento.Queda nos óbitos infantisA participação dos óbitos infantis no total de mortes registradas no País vem caindo desde 1990, segundo apontou a pesquisa. Na média do Brasil, a proporção de óbitos de menores de 1 ano no total de óbitos caiu de 11,3% em 1990 para 5,2% em 2002, ou seja, houve uma queda de 54% no período. A maior queda no período aconteceu no Nordeste, passando de 14,8% em 1990 para 5,61% em 2002. No entanto, o IBGE chama atenção que, apesar de o Nordeste ter apresentado o maior declínio, a região ainda detém os mais elevados níveis de mortalidade infantil do País. "A queda não reflete a realidade da região, já que o resultado está afetado pelo elevado número de óbitos infantis que deixam de ser registrados no Nordeste", observam os pesquisadores. Menos da metade das mulheres brasileiras fazem acompanhamento completo de pré-natal com médico ou enfermeiro. "Um maior acompanhamento da gravidez levará, certamente, a reduções mais acentuadas da mortalidade infantil", alerta a pesquisa. Mortes violentasO número de mortes violentas (relacionada a homicídios, suicídios e acidentes de trânsito) está crescendo no País e afeta especialmente adolescentes e jovens. Segundo a pesquisa, "o fenômeno da violência é um fato concreto e que vem se acentuando em praticamente todas as regiões brasileiras, atingindo prioritariamente o sexo masculino, cuja incidência chega a ser mais do que o triplo em relação ao sexo feminino". A proporção de óbitos violentos no total de óbitos no País passou, no caso dos homens, de 14,17% em 1990 para 16,31% em 2002, enquanto a das mulheres ficou praticamente estável, passando de 4,33% para 4,53%. Outro dado preocupante é a faixa etária das mortes violentas. Em 1990, a proporção de óbitos violentos no total de óbitos masculinos, na faixa etária de 15 a 24 anos, era de 60,25%. Em 2002, atingia 70,67%. No caso das mulheres os porcentuais nessa faixa etária são bem inferiores, mas também crescentes, passando de 28,25% no total de óbitos femininos nessa faixa etária, em 1990, para 34,14% em 2002. Ainda no que diz respeito às mortes masculinas por violência na faixa etária de 15 a 24 anos, o Rio de Janeiro foi o destaque em 2002, com 270 óbitos por 100 mil habitantes. O Rio foi seguido do Amapá (244 óbitos por essa causa nessa faixa etária, por 100 mil habitantes) e São Paulo (234 óbitos). CasamentosEm 2002 foram realizados 715,2 mil casamentos no País, com queda de cerca de 4% sobre o número de casamentos registrado em 1991. A pesquisa conclui que "este tipo de arranjo conjugal, baseado em uniões legais, vem perdendo força em nosso País". A taxa de nupcialidade legal (divisão do número de casamentos pelo total da população residente) chegou a 7,5 casamentos para cada mil pessoas em 1990 e despencou para 5,7 em 2001, permanecendo no mesmo patamar em 2002. A pesquisa revelou também que 69% das uniões legais em 2002 ocorreram com pessoas de até 29 anos de idade, sendo que entre as mulheres o maior número de casamentos ocorreu entre 20 e 24 anos. Os homens, por outro lado, se casaram mais na faixa etária entre 25 e 29 anos. Segundo a pesquisa, esse dado da faixa etária mostra que "os homens ficam mais suscetíveis ao casamento em idades mais avançadas do que as mulheres, sinalizando um comportamento de maior vulnerabilidade ante a solidão para as pessoas do sexo masculino". Outro dado revelado pelo IBGE é que, de um modo geral, apenas 10% dos casamentos legalmente estabelecidos ocorrem entre pessoas com mais de 39 anos de idade. Além disso, a idade ao casar tem aumentado desde o início da década de 90. No caso das mulheres, a idade média do casamento passou de 23,7 anos em 1991 para 26,7 anos em 2002. No caso dos homens, houve um crescimento, respectivamente, de 27 anos para 30,3 anos. SeparaçõesO número de separações judiciais e divórcios vem "crescendo gradativamente" no País. De 1991 para 2002, o número de divórcios aumentou 59,6%, passando de 81,1 mil registros para 129,5 mil. O número de separações subiu 30,7% no período, passando de 76,2 mil para 99,7 mil. Para o IBGE, o crescimento "sinaliza uma mudança clara de comportamento na sociedade brasileira, que até bem pouco tempo tratava o fim do casamento como um tabu". Para o instituto, "uma explicação possível para essa mudança comportamental está associada ao firme ingresso da mulher no mercado de trabalho, que permitiu uma independência maior, facilitando a dissolução da união".

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