Número de conflitos por terra diminui no Brasil em 2011

Queda nos casos de ocupações de terra confirma a queda na capacidade de mobilização MST; trabalho escravo aumentou

Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo,

13 de dezembro de 2011 | 18h18

O número de conflitos por terra no Brasil diminuiu neste ano. De acordo com balanço parcial que acaba de ser divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), o número de invasões caiu 18% no período de janeiro a setembro, em comparação com o mesmo período do ano passado. O total de casos passou de 535 para 439.

 

Também caiu o número de assassinatos de trabalhadores em conflitos agrários, segundo a CPT. Foram 17 mortes nos primeiros nove meses deste ano, o que representa uma queda de 32% em relação a 2010, quando ocorreram 25 casos.

 

Por outro lado, segundo o relatório da CPT aumentou o número de pessoas ameaçadas de morte. Também cresceu a quantidade de ocorrências relacionadas ao trabalho escravo. Foram 177 denúncias em 2010, envolvendo 3.854 pessoas, enquanto em 2011 os casos chegaram a 218, com 3.828 pessoas envolvidas: um aumento de 23%.

 

A queda nos casos de ocupações de terra confirma a queda na capacidade de mobilização do Movimento dos Sem Terra (MST). Diferentes fatores sociais e econômicos, entre eles o aumento do nível de emprego entre pessoas com baixo nível de qualificação profissional e a expansão do Programa Bolsa Família, reduziram a base de apoio do movimento. O número de pessoas reunidas em seus acampamentos baixou nos últimos dois anos de 110 mil para 60 mil.

 

A CPT tem outra interpretação para a redução dos conflitos. Nas considerações finais, os responsáveis pelo relatório divulgado nesta terça-feira apontam a falta de interesse dos governos petistas pela reforma agrária.

 

“Todos os indicadores apontam para a pouca ou nenhuma importância que os camponeses e camponesas e a agricultura familiar têm no cenário nacional”, diz o texto. “A reforma agrária há anos sumiu do campo das prioridades do governos federal. É só observar o número de famílias assentadas no último ano: pouco mais de 6 mil. A diminuição do número de ocupações e acampamentos encontra aí sua explicação maior”.

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