Número de cassáveis pode ser recorde, prevê sub-relator

O sub-relator de sistematização da CPI dos Sanguessugas, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), deve apresentar nesta segunda-feira seu relatório que revela um dado inédito no Congresso Nacional: nunca tantos parlamentares estiveram sob risco de cassação. No relatório, além dos grampos e do depoimento de Luiz Antônio Vedoin, considerado a peça principal, ele conta ainda com toda a documentação apreendida pela PF e com os depoimentos de outros envolvidos no esquema, como o de Maria Estela da Silva, funcionária da Planam que disse ter recebido de 62 parlamentares as senhas secretas dadas pelo Ministério da Saúde para acompanhamento de projetos.Até a noite de domingo, Sampaio ainda estava debruçado sobre seu parecer em Brasília. O relatório do deputado descreverá, caso a caso, todas as evidências existentes contra cada um dos deputados e senadores sob investigação. Estatística avassaladoraOs grampos da Polícia Federal e o depoimento do empresário Luiz Antônio Vedoin, um dos principais empresários da máfia das ambulâncias, produzem uma estatística avassaladora: dos 90 parlamentares investigados pela CPI dos Sanguessugas, 75 - ou seja, 83,3% - receberam dinheiro na própria conta, na conta de familiares e parentes, na conta de terceiros indicados, em espécie ou na forma de bens e presentes do esquema.Desse grupo de 75, 21 parlamentares preferiram receber o pagamento em dinheiro vivo, entregue pelos empresários e funcionários da Planam nos gabinetes, em restaurantes ou na rua. Outros 46 aceitaram que a propina fosse paga via transferência ou depósito bancário e 8 ganharam carros, terrenos e presentes do esquema em forma de pagamento.Só contra 15 dos 90 parlamentares investigados - 16,7% - as indicações de envolvimento são mais frágeis. Eles não foram mencionados por Darci Vedoin, dono da Planam e pai de Luiz Antônio, em seu depoimento, embora apareçam em outros documentos ou nas escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, ou foram apenas citados pelo dono da Planam, mas sem qualquer relato de recebimento de propina.Os 46 que receberam a propina na forma de depósito pode ser dividido da seguinte forma: 15 receberam o dinheiro na própria conta bancária ou na conta de parentes, em 25 casos o depósito foi realizado na conta de assessores e em 6 casos foi realizado na conta de terceiros indicados pelos próprios parlamentares, conforme o depoimento de Luiz Antônio Vedoin.A estatística produzida a partir da documentação se aproxima muito das estimativas iniciais feitas pelo vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que, com base no depoimento de Luiz Antônio Vedoin, calculou que em 80% dos casos os parlamentares haviam recebido dinheiro em troca da inscrição de emendas ao Orçamento-Geral da União em favor de empresas do esquema dos sanguessugas.Segundo o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), integrante da CPI, o depoimento de Luiz Antônio Vedoin à comissão, marcado para esta semana, servirá para esclarecer dúvidas e checar a participação de alguns nomes mencionados no relato do empresário à Justiça Federal do Mato Grosso que não estão sob investigação. Gabeira ressalvou que o objetivo da CPI não é ampliar muito mais o escopo da investigação, que resultou na citação dos 90 nomes já conhecidos. "A nossa intenção não é universalizar, mas sim nos fixar nos 90. A ampliação das investigações só interessa aos envolvidos, que desejam tumultuar os trabalhos da comissão", disse o deputado.A CPI recebeu neste fim de semana os depoimentos prestados à Justiça Federal de Mato Grosso por Darci Vedoin e Ronildo Pereira, empresário ligado ao esquema. Como Luiz Antônio, ambos decidiram colaborar com as investigações contando tudo o que sabem em troca da redução de suas penas. Darci era responsável pelo contato com os deputados. Ronildo Pereira atuava junto com Luiz Antônio no esquema, mas também fazia intermediação com alguns parlamentares.

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