Número 2 da PF preso assumiu cargo a convite de diretor-geral

Romero Menezes foi preso nesta 3ª por Luiz Fernando Correa, acusado de envolvimento em esquema de fraude

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

16 de setembro de 2008 | 16h10

Nos oito meses em que passou à frente da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, de janeiro a agosto de 2007, Romero Menezes fez um trabalho "exemplar", na avaliação da Secretaria de Comunicação do Estado. Ele deixou o cargo no início de setembro, porque foi convidado pelo então secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Correa, que havia assumido a diretoria-geral da PF, para ser o diretor de Operações da Polícia Federal. Menezes foi preso nesta terça e recebeu a voz de prisão do próprio Correa. Ele é acusado de envolvimento em esquema de fraudes no Amapá.  Veja também:Segundo homem na hierarquia da PF é preso pelo diretor-geral Na secretaria estadual, Romero impôs um estilo e estratégia que vem sendo seguidos pelo seu sucessor, indicado por ele mesmo antes de deixar o cargo, o também delegado federal Sevilho Paiva. Sua missão, delegada pelo governador Eduardo Campos (PSB) era a de combater os grupos de extermínio e reduzir o alto índice de homicídios no Estado.  Na tarefa, estimulou o serviço de inteligência e, segundo a Secretaria de Comunicação, conseguiu desbaratar várias destas quadrilhas, atuando especialmente em cinco municípios da região metropolitana onde era maior a atuação dos grupos de extermínio. Sua passagem na secretaria, considerada produtiva, colaborou para a redução de 7% do número de homicídios ocorridos no Estado entre abril de 2006 e abril de 2007. No período de secretário estadual da Defesa Social, Meneses foi eleito por unanimidade presidente do Conselho de Secretários de Segurança do Nordeste Ao ganhar a eleição para governador, Campos quis colocar alguém de fora, que não tivesse ligação com a segurança pública local, no comando da área. A pedido do governador, Luiz Fernando Correa indicou três delegados federais. Ex-superintendente da PF em Brasília, Romero tinha em seu favor o fato de ser nordestino e conhecer Pernambuco, pois já havia trabalhado na Polícia Federal no Estado. Meneses fez carreira na Polícia Federal, onde tem ótimo conceito, de acordo com seu ex- chefe de comunicação na secretaria de Defesa Social, Joaquim Netto. Perito civil criminal aposentado, Netto entrou como agente da PF no mesmo ano de Romero Meneses, em 1976. Ele foi chefe de comunicação da PF-PE quando Meneses atuou como delegado e coordenador regional policial no departamento.Joaquim Netto recebeu com espanto a notícia da prisão do segundo homem da PF. "Ele é um homem sério, competente, eficiente, íntegro, da nova geração da polícia", assegurou.

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