Novos ministros tomam posse na quarta-feira

Com a sabatina do ministro da Justiça, José Gregori, prevista para esta terça-feira na comissão de Relações Exteriores do Senado, o presidente Fernando Henrique Cardoso começará a efetivar a reforma parcial do ministério anunciada no final do mês passado. A aprovação certa de Gregori para assumir o cargo de embaixador do Brasil em Portugal permitirá, além disso, a reacomodação de forças partidárias no sistema de coordenação política do Palácio do Planalto, o deve acontecer na próxima quarta-feira, com a posse de dois novos ministros e a transferência do secretário-geral da presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, para o ministério da Justiça.O processo de mudanças terá continuidade com a demissão do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que deverá deixar o governo também nesta quarta-feira. Embora ainda não exista definição sobre quem o substituirá, é praticamente certo que a indicação do seu substituto será feita pela direção do seu partido, o PMDB. Até que isso ocorra, o secretário-executivo Alderico Jefferson Lima, homem de confiança de Padilha, responderá pela pasta.As posses do líder do governo no Congresso, deputado Artur Virgílio (PSDB-AM), na secretaria geral da Presidência, e a de Aloysio Nunes no ministério da Justiça, representam um movimento de peças que podem ser decisivas nesta fase de definição do jogo de alianças partidárias para disputar as eleições gerais de 2002. Além de pertencerem ao PSDB, Virgílio e Nunes tendem a reforçar a posição do presidente Fernando Henrique no trabalho de preservação da aliança eleitoral entre os grandes partidos que apoiam o governo e na escolha do candidato que irá liderar essa aliança na campanha presidencial.A mesma interpretação vale para o movimento que atinge os quadros do PMDB e do PFL. A posse do senador Ney Suassuna (PMDB-PB) no ministério da Integração Nacional, e a designação do deputado Heráclito Fortes (PFL-PI) para a liderança no Congresso, no mesmo dia em que Virgílio e Nunes assumem novas funções, ilustram o objetivo presidencial de preservar e reforçar os laços dessa aliança. A exoneração do ministro Padilha dá-se em circunstâncias especiais. Ele deixará o governo em paz com o Palácio do Planalto e com a missão de reconduzir para a base governista facções tendentes a abrir uma dissidência no PMDB do Rio Grande do Sul. Já o PFL, com Fortes, recuperará espaço no processo decisório político palaciano, do qual praticamente não participou no segundo mandato de Fernando Henrique.

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