Novos migrantes aumentam qualificação da mão-de-obra em SP

Cinco anos na maior cidade do País foram suficientes para o chefe Rodrigo Martins trocar de emprego, escalar a hierarquia de cozinhas conceituadas e abrir seu próprio negócio. O paranaense de Londrina mora sozinho em um apartamento no Itaim-Bibi, zona sul, e é um dos que fazem subir o grau médio de escolaridade dos migrantes que vivem em São Paulo, conforme mostram dados do IBGE. Enquanto nos anos 50 o crescimento industrial da cidade atraía migrantes fugindo da seca no Nordeste, o atual perfil de serviços de São Paulo procura em outras cidades mão-de-obra qualificada. Martins se formou na escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Águas de São Pedro, interior paulista, e desde pequeno vivia no restaurante do pai, em Londrina. "Tudo que conquistei é fruto de muito trabalho. Claro que bebi bons vinhos e comi bons pratos nesses anos, mas poupar dinheiro é fundamental", diz o dono do Faggot. "O fato de morar sozinho, não ter família ou filhos para sustentar, ajuda bastante." Martins não esconde que, no futuro, pretende deixar a cidade e morar em outra mais parecida com Londrina. Mesma visão tem o engenheiro e analista de sistemas catarinense Valdir Mendes Cardoso, há dois anos na cidade. "Estava receoso de vir, por causa da violência. Olhando de fora, parece muito pior", diz ele. "Decidi porque não ganharia em outros lugares o salário que ganho aqui, nem trabalharia com o mesmo nível de tecnologia." No primeiro ano, Cardoso morou sozinho em um apartamento alugado. "Tinha pensado em um flat por causa da comodidade, mas era muito mais caro." Hoje, ele divide a casa com a mulher. Ela ainda não conseguiu emprego como química e atua na área de seguros. Quando o censo foi realizado, o agente de viagem angolano Pedro Malheiro vivia sozinho, depois de se separar da primeira mulher. Agora, já faz um ano que mora com a noiva. "Sempre me virei bem e até gosto de fazer minhas coisas morando sozinho. Mas até pela minha origem portuguesa, sou bastante apegado à família." Para Malheiro, a maior independência das mulheres explica o aumento de pessoas vivendo sozinhas. "A maioria se preocupa mais em ter seu espaço, se formar e consolidar uma carreira, para depois pensar em viver com outra pessoa."

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