WILSON PEDROSA/AE
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Novos atos indicam que grupo de Agaciel operou após afastado

Senado vai investigar os novos atos secretos; todos foram assinados na gestão de Agaciel e Zoghbi

André Mascarenhas, do estadão.com.br e Carol Pires, da Agência Estado, Agência Estado

13 de agosto de 2009 | 12h21

A descoberta de novos 468 atos secretos no Senado, após a conclusão de levantamento sobre os outros cerca de 500 revelados pelo Estado, são um indício de que o grupo do ex-diretor-geral  Agaciel Maia operou depois que a nova diretoria-geral da Casa assumiu.

 

A conclusão é de um funcionário próximo ao primeiro-secretario do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI). A publicação dos novos atos secretos "só pode ter sido por quem já estava lá e que tinha acesso" aos atos, explicou o funcionário.

 

Com a divulgação, o primeiro-secretário anunciou nesta quinta-fera, 13, a instalação de uma comissão de inquérito para analisar os novos atos secretos. Além desses, já tinham sido identificados outros 511 atos no Senado, com nomeações de servidores e concessões de benefícios sem a publicação exigida por lei. A decisão de instalar a comissão foi aprovada em reunião da Mesa Diretora da Casa.  

 

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Na tentativa de explicar como é possível que tenham aparecido de repente mais atos secretos - após o fim dos trabalhos da comissão que examinou os 511 -, Heráclito Fortes disse acreditar que pode ter havido má-fé de algum servidor que teria inserido os 468 atos no sistema informatizado de publicações do Senado. "Considero sabotagem, ou até mesmo molecagem, por parte de servidores que se acham fundamentalistas e acreditam que ainda vão voltar ao poder", afirmou o primeiro-secretário.

 

Sobre a possibilidade de ter sido o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia o servidor que incluiu os 468 atos no sistema, Heráclito disse: "Não gosto de fulanizar. Mas, com certeza, foram pessoas de gestões passadas tentando desestabilizar a atual gestão."

 

O secretário afirmou que os 468 atos tratam de questões administrativas e foram todos assinados no período de 1998 e 1999, quando o presidente do Senado era Antonio Carlos Magalhães (ACM - falecido há dois anos). Heráclito ressalvou, no entanto, que apenas três foram assinados por ACM.

 

Atos tardios

 

Os novos atos secretos teriam sido inseridos no sistema de publicação do Senado dias após iniciada a investigação sobre os cerca de 500 atos revelados inicialmente, e a maior parte dos documentos datam de um mesmo dia - 29 de maio. 

 

Segundo o assessor de Heráclito, a coincidência de datas indica que os funcionários responsáveis pela publicação premeditaram dar publicidade para os atos secretos somente após a divulgação dos primeiros 500 atos.

 

 

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