Novo tratamento para diabetes aguarda autorização do Ministério

A administradora baiana Telma Mércia do Rosário Almeida, de 45 anos, portadora de diabetes tipo 1, também conhecida como diabetes juvenil, cobrou hoje do Conselho Nacional de Ética e Pesquisa (Conep), do Ministério da Saúde, a aprovação no Brasil do projeto "Transplante de Ilhotas Pancreáticas", técnica que vem sendo usada com sucesso no Canadá e Estados Unidos e representa a cura definitiva dos pacientes com a doença. O novo tratamento já é dominado pela equipe do endocrinologista Freddy Goldberg Eliashewitz, do Hospital Albert Einstein de São Paulo, mas não pode ser utilizado em pacientes brasileiros antes da autorização do Conep. Desde o ano passado um grupo de nove portadores de diabetes juvenil do Brasil, no qual Telma está incluída, foi selecionado para se submeter pioneiramente ao transplante, mas a burocracia do Ministério da Saúde ainda não permitiu o início tratamento, obrigando os pacientes a uma vida de privações e risco de vida iminente. "O portador de diabetes juvenil precisa controlar rigorosamente as taxas de açúcar no sangue e está sempre sujeito a choques hipo e hiperglicêmicos que causam perda de consciência e um mal estar constante", explicou, contando que certa feita, desmaiou quando dirigia o carro e por pouco não morreu no acidente. Pelo novo tratamento, as Ilhotas pancreáticas, ou células beta, produtoras de insulina, extraídas do pâncreas de doadores já falecidos, são injetadas nos pacientes diabéticos durante 15 minutos. As ilhotas regularizariam definitivamente a produção da insulina e as taxas de açúcar no sangue. "O Albert Einstein já dispõe do material para o transplante e os recursos para desenvolver a nova técnica que certamente vai representar um avanço no tratamento do diabetes beneficiando milhares de pessoas", disse Telma, sem entender porque o Conep ainda não liberou o tratamento. Ela esperava realizar a operação em abril, mas como não houve a autorização. Então Telma escreveu várias cartas ao Ministério da Saúde e estranhamente somente no dia 15 desse mês recebeu uma resposta do Conep, pedindo para enviar o projeto desenvolvido pelo médico Eliashewitz. "Mesmo sabendo que desde o ano passado o assunto já vinha sendo discutido no ministério, pedi para a equipe do Albert Einstein enviar novamente o projeto e até hoje não se obteve nenhuma resposta", afirmou Telma, desconfiando que a implantação da nova técnica de tratamento talvez não tenha sido aprovada até o momento por contrariar o que chamou da "indústria do tratamento convencional do diabético". Ela lembrou que existem cerca de 7,5 milhões de diabéticos no Brasil que precisam comprar os kits de administração de insulina e a própria droga para não morrer. "É inadmissível tanta insensibilidade das autoridades médicas do País", desabafou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.