Novo titular da Igualdade Racial defende as cotas

Para deputado Edson Santos, ?a vida tem demonstrado acerto? do sistema; pasta também atuará junto a índios e comunidades de quilombos

Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

15 de fevereiro de 2008 | 00h00

O novo ministro da Igualdade Racial, deputado Edson Santos (PT-RJ), defendeu ontem a manutenção do sistema de cotas raciais para ingresso nas universidades. "A vida tem demonstrado seu acerto, seu caráter positivo", afirmou Santos, em sua primeira entrevista como sucessor de Matilde Ribeiro. Ele citou, como exemplo, que sistema semelhante foi implantado no Brasil no passado para favorecer os filhos de fazendeiros e agricultores nas universidades rurais. Sobre a tarefa de acabar com a discriminação, disse que se trata de uma ação de toda a sociedade, e não só de um órgão público. "Só iremos ter um ambiente efetivamente democrático do ponto de vista racial no momento em que a sociedade brasileira reconhecer a necessidade de tratarmos dessa questão com profundidade", declarou. Santos toma posse na quarta-feira, às 11h30. Ao contrário de Matilde, que chegou ao cargo por ser petista e militante do movimento negro, ele não tem forte vinculação com esse segmento. Sua carreira é essencialmente parlamentar. Por causa disso, a reação dos militantes em relação à sua indicação é sobretudo de expectativa."Ele não é um quadro tradicional do movimento negro. Trata-se de um quadro do PT", resumiu o coordenador do Movimento Brasil Afirmativo, Dojival Vieira. "Esperamos que, com sua experiência parlamentar, consiga dar à secretaria o papel de protagonista na luta pelo atendimento das demandas históricas da população negra." Para Vieira, a principal reivindicação do movimento negro no momento é a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, cujo projeto de lei está parado no Congresso.CARTÕESEm sua entrevista ontem, Santos disse ontem que vai usar o cartão corporativo - responsável pela queda de sua antecessora, que o utilizou para compras pessoais e gastos de R$ 171,5 mil apenas em 2007. "É o meio mais transparente para tocar o cotidiano da secretaria", argumentou. Ao lado do secretário-executivo da pasta, Martvs das Chagas, o deputado informou que o problema das despesas com aluguel de carro no cartão será resolvido com a abertura de licitação para escolha de uma locadora - Matilde gastou R$ 110 mil nessa finalidade.Santos adiantou que dará andamento aos programas já iniciados e fará uma transição "sem zerar todo mundo nem partindo do princípio de que todos serão mantidos". Ele fez questão de elogiar a antecessora, a quem dá o mérito de ter criado "as bases, os alicerces, do ministério".Com a nomeação para o primeiro escalão, o deputado desistiu de lançar sua pré-candidatura à Prefeitura do Rio. Ao mesmo tempo, segundo parlamentares petistas, deixa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberado para apoiar o candidato à vaga escolhido pelo governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB). COLABOROU ROLDÃO ARRUDA

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