Novo teste vai diagnosticar câncer de próstata

Um novo método de diagnóstico do câncer da próstata pode ser a alternativa para os exames invasivos, como o toque retal, e fornecer um resultado muito mais preciso do que se consegue com os testes empregados hoje.Segundo o geneticista molecular Luiz Ricardo Goulart, da Universidade Federal de Uberlândia, que desenvolveu a técnica, o índice de acerto pode chegar a 97%. Pelo trabalho, Goulart recebeu o prêmio de Inovação Tecnológica, categoria inventor, de 2002, concedido pelo Sebrae Minas, em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).A nova técnica analisa marcadores moleculares (pedaços de um gene que o identificam) para fazer o diagnóstico. Goulart estudou 16 genes, dos quais dois estão envolvidos no desencadeamento do câncer de próstata. São esses genes que ordenam a produção de proteínas anormais, que, por sua vez, causam anomalias na próstata, como o câncer."O que o meu método faz é detectar o RNA mensageiro, que nada mais é do que a mensagem enviada à célula pelo gene para a produção da proteína", explica Goulart. "Descobrimos que os genes DD3 e KLK2 estão envolvidos no câncer de próstata. Então, quando eles estão ativados é porque há processo tumoral."Segundo Goulart, hoje existem dois métodos de diagnóstico de câncer de próstata, o toque retal e o exame de PSA (antígeno prostático específico), uma proteína que é liberada no sangue toda vez que há alguma alteração nesse órgão dos indivíduos do sexo masculino.O primeiro tem um índice de acerto de cerca de 20%, e o segundo, de 40%. A nova técnica é empregada em conjunto com o PSA e de forma progressiva. Primeiro é analisado o sangue do paciente, onde estão as células com os genes envolvidos com o câncer de próstata. "Nessa fase conseguimos um índice de acerto de 70%", garante Goulart."Os 30% restantes, se forem negativos, mas tiverem o PSA alto (mais de quatro nanogramas - 1 nanograma é igual a 1 dividido por bilhão - por mililitro de sangue), devem fazer biopsia, na qual é usada de novo minha técnica para analisar o material colhido para exame. Desses 30%, conseguimos uma taxa de acerto de 90%. No final, temos portanto uma precisão de 97%."

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