Novo superintendente da Sudene toma posse

Sudene é recriada sem a autonomia financeira esperada

Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2008 | 18h35

Indicado pelo governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), Paulo Sérgio de Noronha Fontana - ex-presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral - tomou posse como superintendente da recriada Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), no final da manhã de ontem em uma sala do Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O auditório do prédio da antiga Sudene - localizado a cerca de um quilômetro, deteriorado, não tinha estrutura física para receber o evento. "O fato de não estarmos no prédio da Sudene denuncia um estado grave", destacou o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB) em seu discurso, quando deixou claro - repetindo uma preocupação externada pelos sete governadores nordestinos presentes - que sem recursos a nova Sudene não terá como atuar na integração do Nordeste ao desenvolvimento econômico do País. "Não adianta ter cabeça e não ter corpo", frisou Cunha Lima, ele mesmo ex-superintendente da antiga Sudene, por 11 meses no governo Itamar Franco, durante a cerimônia de posse, também prestigiada pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Não compareceram os governantes do Piauí e do Maranhão. "A nova Sudene nasce com a pendência de vetos e a não existência do Fundo Desenvolvimento Regional", proclamou o deputado federal baiano Zezéu Ribeiro (PT), relator do projeto de lei número 125 de 03/01/07, que recriou a Sudene, cinco anos depois de sua extinção no governo Fernando Henrique Cardoso. O Fundo de Desenvolvimento Regional seria criado - junto com a nova Sudene - dentro do projeto de reforma tributária. A proposta é que ele seja formado por 2% do arrecadado do Imposto de Renda e IPI, a título de fundo perdido, para investimentos na infra-estrutura da região Nordeste. O fundo não passou no Congresso. O ministro disse que o primeiro desafio é recuperar o patrimônio físico da antiga Sudene e depois, "tocar, com o apoio e respaldo dos governadores e do presidente da República". Otimista, afirmou "não ver" como o Congresso não vá aprovar a proposta de criação do Fundo de Desenvolvimento Regional dentro da proposta da reforma tributária. "É cobrança da sociedade e do próprio Congresso". Ele lembrou que sob o comando da Sudene fica "de cara" o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FNDE). Com Mantega O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) propôs que todos os governadores do Nordeste, junto com o ministro Geddel Vieira Lima tenham uma conversa com o ministro Guido Mantega para, unidos, lutarem pela garantia de mais recursos humanos e recursos financeiros para a nova Sudene. Cid Gomes (PSB), do Ceará, ao dar as boas vindas ao novo superintendente afirmou não saber se o parabenizava ou se já começava a sofrer junto. "Demorou cinco anos para ter finalmente este instrumento (a Sudene), agora vamos ter muita briga para ter esse órgão operando em sua plenitude". Em entrevista à imprensa, Paulo Fontana afirmou que em 60 dias o órgão deverá contar com 70% da sua estrutura de pessoal, que incorpora os 170 funcionários da extinta Sudene, depois Adene (Agência de Desenvolvimento do Nordeste). Serão contratados entre 60 e 70 cargos comissionados e mais 200 funcionários serão contratados por concurso (ainda não aberto). Paulo Fontana contará com uma diretoria composta por Zenóbio Vasconcelos (ex-superintendente da Adene que assume a diretoria de planejamento da Sudene) e Rômulo Monteiro, diretor de Gestão e Finanças.  Zenóbio foi indicação do ministro da Integração Nacional, enquanto Rômulo foi indicação do PTB - presidente da Confederação Nacional da Indústria, deputado federal Armando Monteiro Neto e o ministro das Relações Institucionais José Múcio Monteiro. A indicação do diretor de administração coube ao governador de Sergipe, Marcelo Deda (PT).

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